Quando foi feito o pitch com o intuito de conseguir um sinal verde para iniciar a pré-produção de Refém do Jogo do diretor Scott Mann, apresentaram o filme estrelado por Dave Bautista, o Drax de Guardiões da Galáxia, como um tipo de Duro de Matar em um estádio de futebol. E, é exatamente isto o que é o longa de ação. Nem mais, nem menos.

O filme de Scott Mann nos apresenta um dia na vida de Michael Knox, que por muitos anos serviu ao exército militar americano, e durante uma de suas visitas a Londres, encontra-se com a esposa e a filha de um ex-companheiro e grande amigo, morto em uma missão no Afeganistão. O ex-soldado convence a mãe de Danni, que se encontra de castigo, a deixar a garota acompanhá-lo durante uma partida de futebol entre o West Ham United, time dela e do pai, e o Dynamo Moscou. Mas, ao chegar no estádio Boleyn Ground, se encontram em uma situação ameaçadora, pois o lugar foi dominado pelo fanático-revolucionário russo Arkady Belav e sua equipe, em busca de seu irmão Dimitri Belav, até então, considerado morto.

Sim, o longa Refém do Jogo têm todos aqueles velhos clichês hollywoodianos dos filmes de ação. Temos o herói americano, que quando se vê envolvido na trama perigosa, não sairá dela até ver que todos estão sãos e salvos, mesmo que isto custe algumas queimaduras, cortes e tiros, a exemplo do policial John McClane da série de filmes Duro de Matar, incapaz de terminar um filme com a camisa limpa.


Também temos o vilão russo que luta pela independência da sua pátria; os capangas do tipo brutamontes que consomem mais proteína que oxigênio; a russa revoltada boa de briga; o chefe de polícia que nunca sabe o que está acontecendo, mas ajuda o herói de vez em quando; a mocinha em perigo; sem esquecer do personagem que sempre se assusta, ou tem medo de tudo, aqui no longa de Scott Mann, um ‘steward’ indiano trabalhando durante o jogo.

Se Refém do Jogo não ganha pontos por arriscar pensar fora da caixinha, ao menos cumpre sua única missão que é entreter seu público, certamente mais masculino que feminino. O longa e o diretor Scott Mann não estão aqui para enganar as pessoas, o que se têm é o que se oferece ao espectador, mesmo com um exagero ou outro aqui e acolá, algo mais que aceitável e bem-vindo no cinema de ação. Se Tom Cruise pode desafiar as leis da física, porquê não Dave Bautista pode tentar o mesmo.

E, continua a surpreender, inclusive dramaticamente, a evolução do ator, antes conhecido apenas como fisiculturista e lutador profissional, especializado em artes marciais. O tamanho do carisma de Bautista é proporcional ao seu peso e largura, tanto que Drax, seu personagem mais popular, cresceu monumentalmente do primeiro Guardiões da Galáxia à sua continuação do ano passado. Tanto que se houver sua saída dos filmes da Disney/Marvel Studios, pelo fato deste apoiar e estar do lado do diretor e amigo James Gunn, demitido por tweets polêmicos feitos alguns anos atrás, certamente será uma perda enorme, principalmente no aspecto cômico, onde Dave Bautista demonstrou mais qualidades, de tal maneira que é fácil afirmar que a melhor performance do segundo filme da franquia dos super-heróis defensores da galáxia é dele.

Curiosa também é a escolha de Pierce Brosnan, o eterno agente 007, como um ex-revolucionário russo, do tipo que lutava quando na pele de James Bond. O ator sexagenário nascido na Irlanda, apenas aparece brevemente em Refém do Jogo, e quando o faz, vem carregado de um paródico sotaque russo, falando em inglês.

Mas, existe algo no longa de Scott Mann que deve ser visto como uma ideia progressista. A tal “mocinha” do filme, interpretada por Lara Peake, que possui uma semelhança desconcertante com a atriz Drew Barrymore, não é a típica mocinha indefesa tão repetida nos filmes da indústria americana. Sua personagem tem cabeça própria, é esperta, corajosa e não deixa barato na hora do ‘vamuvê’.

Isto, é Refém do Jogo, um filme que sabe exatamente o que quer e para onde vai, mesmo sem se arriscar nem um pouquinho, ao contrário de seu protagonista, que até deu uma de Tarzan no estádio de futebol.