Crítica | A Pequena Sereia

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Ao ler sobre A Pequena Sereia, alguns mais apressadinhos podem imaginar que este filme se trata de uma versão live-action da animação de 1989 da Walt Disney Pictures, que fez de Ariel, uma das princesas mais populares do mundo. Mas, este não é o caso aqui, ainda!

É sabido que os estúdios Disney estão a todo vapor nos últimos anos, com essa ideia de transformar todas suas animações mais clássicas, em filmes live-action com atores interpretando tais personagens que ficaram marcados nas mentes e corações das pessoas. A maior produtora de filmes do planeta, fez sua primeira adaptação do tipo em 1994 com o longa O Livro da Selva baseado em Mogli, O Menino Lobo, e fez seu primeiro grande sucesso na década de 90 com 101 Dálmatas. Mas, foi no mais recente decênio, que a Disney confirmou sua nova fórmula de triunfo nas bilheterias, com Alice no País das Maravilhas de Tim Burton.

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Vieram outros arrasa-quarteirões do estúdio, como: Malévola, Cinderela, e o bilionário A Bela e a Fera. E, já está em fase de desenvolvimento, a versão do filme de 89 sobre Ariel, Linguado, Sebastião e companhia, prometido para 2020. Enquanto este não sai, temos essa versão de A Pequena Sereia, dirigido por Blake Harris e Chris Bouchard, de orçamento do tipo B, no caso 5 milhões de dólares, e com um enredo completamente diferente do original da Disney.

O longa, agora disponível na Netflix, conta a história de um jovem repórter Cam Harrison, atrás de uma matéria sobre um circo que diz ter uma sereia, e um elixir mágico que cura qualquer enfermidade, o que interessa muito ao repórter, pois sua sobrinha Elle sofre de uma grave doença. Assim, tio e sobrinha embarcam em uma viagem onde se depararão com Elizabeth, uma bela e encantadora moça, e o dono do circo Locke, um poderoso mago.

É uma pena que A Pequena Sereia de Harris e Bouchard não tenha conseguido maiores êxitos com este trabalho, porque diante de algumas boas escolhas feitas, que incluem um roteiro dinâmico, mesmo que muito explicativo, além de uma unidade sólida nas atuações de todo o elenco, a parte o horroroso feito do ator Armando Gutierrez no papel do vilão da história, também ele produtor da obra, percebe-se que tal projeto poderia ter alçado maiores vôos, mas são notáveis as limitações financeiras do longa, muito pobre na questão da direção de arte, que inclui figurino e maquilagem, sem contar os efeitos especiais, de qualidade muito baixa, comparável ao live-action Dragon Ball Evolution.

Esta falta de recursos acabou sendo um dos maiores impedidores para o filme da dupla Harris/Bouchard. Sim, alguns movimentos de câmera, parecem simplesmente canhestros, ainda mais pensando de que se trata de um filme infantojuvenil, mas são poucas as escorregadas em A Pequena Sereia. O roteiro não é muito inspirado no quesito diálogos, apesar de se levar em consideração o público-alvo de uma produção assim, desta maneira, usar de frases explicativas passa a ser um pouco mais aceitável, porém, os quase 90 minutos de duração voam, sem deixar a narrativa corrida, ou vagarosa.

Mas, o maior destaque da obra recai nas performances carismáticas e genuínas do elenco. Dá para perceber que estes estão tirando leite de pedra em alguns momentos do texto. De William Moseley, o Peter Pevensie da trilogia As Crônicas de Nárnia, à solar Loreto Peralta, que faz sua sobrinha, o nível de coração em suas atuações é o que eleva o material irregular da obra de Harris e Bouchard.

Também, é de grande sensibilidade e doçura, o trabalho de Poppy Drayton, jovem atriz de filmografia ainda acanhada. Contudo, somados seus talentos a uma beleza que lembra muito uma mistura de Jennifer Connelly com Lily Collins, pode-se imaginar que logo mais, logo menos, Drayton consiga papéis de maior evidência dentro da indústria hollywoodiana. E, não dá para esquecer de mencionar Shirley MacLaine, dama da história do cinema, que em A Pequena Sereia tem participação tímida, mas que ajuda no argumento que exalta este elenco.

Não fossem os recursos escassos, o longa disponível na Netflix, teria feito por merecer maiores elogios. Agora, é esperar 2020 e ver o que certamente será uma suntuosa produção dos estúdios Walt Disney, o oposto desta versão de A Pequena Sereia de Blake Harris e Chris Bouchard.

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