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Crítica | Mogli - Entre Dois Mundos

É inevitável não estabelecer uma comparação entre Mogli – Entre Dois Mundos, a nova produção original da Netflix, em parceria com a gigante Warner Bros., e Mogli: O Menino Lobo de 2016, longa do talentoso Jon Favreau, produzido pela Walt Disney Pictures. Existem muitas semelhanças entre a obra de Favreau, e esta versão mais recente dirigida pelo carismático ator, e hoje em dia também cada vez mais diretor Andy Serkis, o eterno Gollum dos filmes baseados nos livros de J.R.R. Tolkien, mas também há diferenças, e são por estas que o longa de Serkis afirma sua própria identidade.

Em Mogli – Entre Dois Mundos é contada a história do bebê, que um dia seria menino, criado em uma alcateia em meio às selvas da Índia, ao lado de seus amigos lobos, além da pantera negra Bagheera e do urso marrom Baloo. O garoto é aceito por todos os animais das matas, menos um, o tigre-de-bengala Shere Khan. Porém, ao crescer o menino sente-se como um estranho no ninho, e vai se deparando com o seu lado humano, cada dia mais e mais, aumentando a crise entre ele e seus amigos da selva.

Antes de se fazer qualquer questionamento, tanto para a obra de Jon Favreau quanto à produção Netflix de Andy Serkis, é necessário dar um puxão de orelha bem forte na indústria de cinema de Hollywood, que raramente comete equívocos nessa área, mas comeu bola ao dar sinal verde para duas produções sobre o menino da selva, ao mesmo tempo! Resultado: dois filmes programados para estrear no mesmo ano, com diferença de seis meses, do lançamento de um para o outro. Óbvio, que isso não iria dar certo! Não estamos mais nos tempos que se lançavam obras similares em curto espaço de tempo, como Volcano e O Inferno de Dante, ambos de 1997, ou Impacto Profundo e Armageddon, filmes de 1998, e isso não afetava a parte de bilheteria, de qualquer um.

E, como a “lei de Hollywood”, ou do mundo capitalista, é exatamente igual a lei da selva, ou seja, prevalecem os mais fortes e poderosos, Jon Favreau se deu bem pois conseguiu lançar seu projeto antes do longa de Serkis, até porque o cineasta responsável por obras como Homem de Ferro e a muito aguardada versão live-action de O Rei Leão, a ser lançada ano que vem, possui o carimbo da Disney em seus contratos, e hoje em dia, não há peso maior que este. Desta maneira, Mogli – Entre Dois Mundos, acabou sendo empurrado para mais longe, até que em julho deste ano foi comprado pela Netflix, fazendo um lançamento diferente do que havia sido planejado.

Definindo do jeito mais simples, o grande diferencial entre as duas produções está no fato de que o longa de 2016 é um filme para todo mundo, mas com foco em uma narrativa mais infantojuvenil; diferente do longa atual que é mais para jovens e adultos.

O único quesito onde o filme de Jon Favreau se isola na liderança, é na parte de efeitos visuais, tanto que levou o Oscar daquele ano na categoria, algo que não surpreende quando se fala de algo pertencente à Disney. Agora, em outros aspectos Andy Serkis consegue imprimir sua marca, nas qualidades, e também em alguns pontos fracos, que ocorrem na parte de dinâmica da narrativa. Assim como seu primeiro trabalho como diretor, Uma Razão para Viver do ano passado, Serkis deixa a peteca cair em alguns momentos, retraindo muito a energia fluente presente no enredo. Mas, a boa notícia é que em Mogli – Entre Dois Mundos, isso ocorre com menos frequência, no caso, só na segunda metade.

E, da mesma forma como seu filme anterior, Serkis se mostra um talentoso diretor de atores, o que também não surpreende, pois são conhecidas suas habilidades mundo afora. Destacam-se mais, o ator mirim Rohan Chand, muito expressivo com seus enormes olhos castanhos, além de muito vibrante, especialmente nas cenas de mais ação, com corridas e saltos entre galhos; e as dublagens de alguns atores, como o próprio Andy Serkis que dá voz a Baloo, também Christian Bale e Cate Blanchett. Mas, ninguém em Hollywood tem mostrado tamanha monstruosidade nesse ponto, como faz Benedict Cumberbatch. Seja Smaug ou o tigre-de-bengala Shere Khan, o ator inglês sabe utilizar o diafragma como poucos.

Andy Serkis trilha um bom caminho como cineasta, basta saber agarrar mais sua própria narrativa, pois assim, mais do que coração, produzirá grande material.

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