Crítica | Juanita

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Você já viu esse filme antes! Mulher cansada de apanhar da vida, que trabalha o dia inteiro e nunca tem tempo para cuidar de si mesma, além de ter que sustentar um filho, prestes a entrar no mundo do crime, e uma filha que só quer saber de perambular por aí sem fazer nada para ajudar sua mãe e a bebê que teve aos 19 anos de idade. E, não podemos esquecer do terceiro filho, preso por andar com as pessoas erradas, e se estrepando por tal escolha. Isto é Juanita, nova produção original da Netflix, estrelando Alfre Woodard, uma das grandes damas da televisão americana.

O longa-metragem dirigido por Clark Johnson nos apresenta a personagem-título Juanita, mulher desgastada por uma vida atribulada, resolver virar a chave e dar uma nova guinada em seus dias. Faz uma mala, escolhe um destino, pega um ônibus, e parte em direção a uma jornada de encontro a si mesma.

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Infelizmente, esta jornada de Juanita será das mais penosas de se testemunhar. É inegável que a obra baseada no livro Dancing on the Edge of the Roof de Sheila Williams está carregada de boas intenções, de uma história de uma mulher negra que caiu nas armadilhas clichês da vida no gueto, como a própria diz. E, não deveria ser necessário pontuar o quão importante é continuar retratando esta realidade, pois a mesma faz parte de nossa sociedade e pode servir de inspiração aos que vivem no dia a dia tal vivência. Contudo, é de se lamentar que algo que poderia ser uma ponte de reconhecimento identitário venha através de um texto tão limitado e arquétipo, e pior, com performances muito equivocadas, mesmo da titânide Alfre Woodard.

Clark Johnson ganhou mais notoriedade na carreira por seus trabalhos na televisão, como nas séries The Wire, The Shield, e Homeland, por exemplo. Já para as grandes telas, Johnson dirigiu os longas S.W.A.T. – Comando Especial e Sentinela, de maior destaque. Assim, baseando-se em seu currículo, surpreende a escolha de dirigir uma obra como é Juanita, um drama romântico de uma mulher mais velha tentando reencontrar a faísca para viver a vida da melhor maneira possível. E, ao escolher assumir o controle deste tipo de narrativa, Johnson deixou claro que se encontra fora da sua área, principalmente na hora de dirigir seu elenco.

Testemunhar uma atriz respeitadíssima e venerada como é Alfre Woodard, dizendo algumas destas falas, mais que protocolares, e para jogar ainda mais para baixo, de maneira tão plástica que fica difícil encontrar qualquer traço de verdade no que a própria diz. Só isso, já seria suficiente para saber que esta produção original Netflix não está à altura de sua maior estrela, e ainda mais, de inspirar o(a) espectador(a) com uma história de uma personagem de emoções humanas comuns a cada um.

Se isso já não fosse o suficiente, adicione um romance forçado em parceria com Adam Beach, o supervilão Slipknot no pavoroso longa da DC Esquadrão Suicida, de um personagem que não durou nem cinco minutos na tela. Tanto individualmente, quando ao lado de Woodard, o trabalho de Beach pode deixar o assinante da Netflix se contorcendo de constrangimento. É quase como se o personagem do ator canadense não tivesse uma alma dentro dele. Sem ação, reação, nada!

Os únicos predicados em Juanita, são: a atuação natural, apesar da personagem estereotipada, de Ashlie Atkinson, vista recentemente no premiado Infiltrado na Klan de Spike Lee; e a cena onde vemos a personagem-título acompanhando um cerimonial nativo americano com as danças, música e batuques de intento para uma conexão espiritual. E só!

Fácil perceber que a provedora mundial via streaming está buscando exaltar a representatividade, algo que a própria praticou recentemente com outra produção original, a comédia romântica Felicidade Por Um Fio. Do mesmo modo que o filme do ano anterior, Juanita passa longe de representar a vida dos negros marginalizados com propriedade e coração, pois o material é escasso de virtudes.

Ainda o maior acerto desta produção é o fato de se importarem de contar uma história que merece ser contada e conhecida em nossa tentativa de buscar entender quem está do outro lado. Aqui, isso vale também para os nativo americanos, pouco retratados no cinema e televisão nos dias atuais. Agora, mais do que uma oportunidade de trabalho e bater o cartão no set de filmagem, é necessário criar melhores enredos para estes realmente mostrarem do que são capazes.

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