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Elseworlds | Crítica – Partes 1, 2 e 3

Publicado por Lucas Nascimento

12/12/2018 01:42

A CW sempre soube como animar os fãs em seus crossovers das séries da DC, que geralmente pegam o midseason finale de cada uma das produções do Arrowverso para um grande evento que se expande através dos episódios.

Mesmo que o evento de 2018 não contasse com a participação do grupo de Legends of Tomorrow, a expectativa para Elseworlds era bem grande: além da premissa divertida da troca de corpos, a nova investida da CW traria de volta o Superman de Tyler Hoeching e apresentaria figuras importantes da DC como a vigilante Batwoman e a jornalista Lois Lane, enriquecendo ainda mais o universo que a emissora foi construindo com maestria nas telas ao longo de 7 anos.

No melhor estilo Sexta-Feira Muito Louca, como é constantemente referido pelos personagens, o crossover começa quando Barry Allen (Grant Gustin) e Oliver Queen (Stephen Amell) descobrem estar no corpo um do outro: o protetor de Star City acorda no corpo do Velocista Escarlate ao lado de Iris West, enquanto o Homem Mais Rápido do Mundo se vê levando porradas de John Diggle no treinamento da equipe Arrow. Os dois logo recorrem a Supergirl (Melissa Benoist) para ajudá-los, descobrindo o plano de uma entidade alienígena e um cientista do Asilo Arkham que está reescrevendo a realidade.

É uma premissa divertidíssima, e que garante excelentes performances de Stephen Amell e Grant Gustin, que exploram com muito humor a troca de corpos; sendo também muito peculiar vê-los de uniformes trocados – onde Amell traz um timing cômico que nunca havia demonstrado antes, dada a natureza mais sóbria de Arrow. Muito pano para comédia, mas ainda temos o valor emocional que a CW sempre é capaz de entregar em suas séries individuais, e que aqui é focado justamente na relação entre Oliver e Barry – e no respeito mútuo que cada um deles redescobre ao decorrer das três partes.

Esse humor típico e aparentemente sem limites é capaz de trazer momentos como quando Elseworlds nos leva à Fazenda Kent, e o icônico tema de Smallville (“Somebody Save Me”), com Tom Welling, começa a tocar – da mesma forma como o evento tem a confiança de trazer John Wesley Shipp de volta como o Flash de outra Terra, sendo um prato cheio de referências para os fãs da editora nas telas. Só o fato de termos uma luta competente (ainda que limitada pelos efeitos visuais medianos) entre o Superman clássico e sua versão maligna de uniforme negro já é algo que o cinema não conseguiu entregar com a mesma eficiência, e Hoeching surpreende no papel duplo, ao passo em que Elizabeth Tulloch faz uma estreia carismática como Lois Lane, trazendo uma impressionante semelhança física com Margot Kidder, que viveu a repórter nos filmes clássicos do herói com Christopher Reeve.

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Mas é inegável que o ponto alto absoluto das três partes de Elseworlds seja mesmo a memorável introdução da Batwoman de Ruby Rose. A CW nunca chegou tão perto da mitologia do Batman como na Parte 2 do evento, onde os heróis são forçados a visitar Gotham City para encontrar uma pista. A prima de Bruce Wayne surpreende o grupo, rendendo uma das melhores cenas de ação que o Arrowverso já viu, com Batwoman ajudando os heróis durante uma invasão ao Asilo Arkham – que ainda contou com uma luta entre Barry e Oliver sob o efeito do gás do medo do vilão Espantalho.

Como Kate Kane, Ruby Rose trouxe carisma e uma persona durona com a qual estamos habituados a ver a atriz, mas com bons momentos de leveza em suas interações com a Supergirl – com o roteiro sendo feliz em reforçar o fato de que ambas as heroínas são primas de figuras mais famosas (e masculinas) da DC, sendo divertido ter Kane proferindo que as duas são “as melhores do mundo”, em clara referência à HQ estrelada pelo Homem Morcego e o Superman.

A interação entre os personagens garante os melhores momentos, já que o antagonismo do misterioso Monitor não é dos mais marcantes, mesmo com a boa performance de LaMonica Garrett – e sem deixar de mencionar o ótimo John Davies como o Dr. John Deegan, que não deixa de ser uma “vítima” de tamanho poder ao reescrever a realidade. Os riscos se revelam menores quando a real intenção do vilão é revelada, como se o melhor ainda estivesse por vir, o que não deixa de parecer uma mera “prévia” para o grande evento.

E, vendo o resultado final de Elseworlds, ele definitivamente funciona e trouxe inovações para a emissora. Pelo menos até a recém-anunciada Crise nas Infinitas Terras começar, e a CW ter a oportunidade de fazer ainda melhor.

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