Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto | Crítica – 1ª Temporada

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Em um mundo de franquias e derivados, a Netflix acaba de lançar sua mais nova série animada, Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto, que traz vários elementos típicos do universo de Velozes e Furiosos em uma abordagem infantil e descontraída, mesmo que esta proposta nem sempre soe muito apropriada. 

A franquia em si já percorreu uma trajetória curiosa, em sua evolução nos cinemas. Começamos com um filme sobre corridas de rua e criminosos viciados em adrenalina, mas com cada filme elevando ainda mais a escala da ação, hoje em dia temos Dominic Toretto e sua gangue trabalhando para agências espiãs em missões megalomaníacas que fariam Ethan Hunt e James Bond arregalarem os olhos. Os filmes se tornaram bem mais atrativos para o grande público, e a franquia ainda parece ter muitos planos para sua expansão. 

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Um destes planos envolve esta nova série animada, protagonizada por Tony Toretto, primo de Dom, e sua turma de adolescentes que, tal qual nos primeiros filmes, também participa de corridas de rua. Mas se nos filmes, a evolução até as tramas absurdas de espionagem levou alguns capítulos até chegar no que é hoje em dia, em Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto, Tony e sua turma já são tirados das ruas e jogados nesta escala global logo no primeiro episódio. O recrutamento ainda envolve uma participação especial (e um tanto desconcertante, por conta da animação) do próprio VIn Diesel como o grande protagonista da franquia. 

E logo de cara, já se percebem os vários elementos comuns ao universo de Velozes e Furiosos, como as discussões típicas entre corredores e as várias falas sobre família que Dom adora ressaltar nos filmes. A comédia destas discussões e alfinetadas é bem fraca, as vezes forçada, não importando o público que estiver assistindo a série. Mas até aí, os próprios filmes nunca tiveram tanto sucesso neste departamento até The Rock e Jason Statham começarem a se insultar (e nunca mais pararam, desde então). 

O visual dos personagens aproveita a liberdade da animação para ir um pouco além do que se consideraria plausível para os filmes. A trilha sonora, no entanto, segue exatamente a mesma fórmula de sempre da franquia, com faixas de hip-hop, rap e pop surgindo com força em várias sequências. E com ação de sobra em cada episódio, repleta de carros fazendo manobras impossíveis e explosões frenéticas a cada curva, a série com certeza consegue chamar a atenção de um público mais novo que gosta de seus desenhos com bastante ação em ritmo acelerado. 

É um tanto estranho, no entanto, notar que a série utiliza elementos destinados a um público mais mais velho do que seu estilo de animação e narrativa parecem estar mirando. O visual 3D é relativamente simples, e embora produtivo para as várias cenas de ação, não costuma atrair a atenção de espectadores adolescentes, atualmente. Com o roteiro sendo tão simplista e objetivo quanto a animação, este limite de apelo se estende também à história, que só deve empolgar o público mais novo e descontraído. 

Mas então, se estamos falando de um público tão novo e descompromissado, por que a série está falando sobre roubos de carros e política internacional? É claro que tudo faz parte da integração da série ao universo já estabelecido da franquia Velozes e Furiosos, mas ainda assim, é impossível deixar de lado que há um contraste incômodo entre o tom da animação, e as tramas trabalhadas para produzir sequências semelhantes aos filmes. 

Creio que a questão, seja olhar para outras animações infantis que também abordam tramas megalomaníacas cheias de ação, e notar que estas produções constroem o seu próprio universo e jogam pelas próprias regras. A antiga “turma do bairro” por exemplo, tinha sua boa cota de tramas absurdas, mas ninguém iria questionar a sua dinâmica pois o desenho estabelecia o universo em que seus personagens atuavam e aceitava que tudo era possível para estas crianças espiãs. 

Em Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto, no entanto, os adolescentes deixam de agir como adolescentes (tal qual é comum em séries do tipo) e passam a ser espiões descontraídos com vários brinquedos mortíferos e ostentosos à disposição. E se estamos falando do universo do filmes, é aqui que está o problema, pois não se pode estabelecer um novo universo bem mais livre de qualquer impressão. Ao trabalhar com os tons e dinâmicas dos filmes, coloca-se estes personagem em uma posição onde todas as suas mirabolantes missões passam a ser menos plausíveis, o que não aconteceria se a série não propusesse se conectar a um universo cinematográfico claramente não indicado à crianças. 

É uma proposta evidentemente equivocada. Se você vai fazer uma série animada no universo de 007, é evidente que você vai ignorar a abordagem dos filmes do espião, para focar em uma atmosfera mais infantil. Ao invés disso, a Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto tenta ser exatamente o que os filmes da franquia já são, porém com mais liberdade por conta do formato, e alguns paraquedas embutidos nos carros para esquivar de qualquer crítica relacionada à violência das corridas. 

O potencial da série, no entanto pode ser visto justamente na dinâmica da jovem equipe, com personagens bem clichês, porém simpáticos e funcionais. Mas principalmente, é possível imaginar como aproveitar uma série animada de Velozes e Furiosos da melhor maneira, quando entram corredores estilizados que soariam caricatos demais para o cinema. É neste tipo de exagero que se encontra o maior valor do formato, e onde a série animada encontraria seu valor dentro da franquia. É preciso deixar de lado as tentativas de se trabalhar uma trama de espionagem pouco relacionável para o público bem infantil, e entregar mais corredores divertidos. Afinal, quem não iria querer ver Velozes e Furiosos: Corrida Maluca? (Podem dizer que não. Eu quero isso para ontem). 

Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto pode agradar as crianças mais novas que só vão prestar atenção na ação, e seguir em frente. Mas qualquer apelo além disso é consideravelmente limitado pela integração da série ao tom e universo da franquia. Comparada ao que a Dreamworks já vinha fazendo dentro da Netflix com suas animações, o resultado é definitivamente decepcionante.  

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