Um fim (tardio) na carreira de Woody Allen?

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Woody Allen é o cineasta do momento. Entretanto, seu nome ser discutido por diversos veículos de imprensa, pessoas ligadas ao entretenimento e indústria audiovisual não está motivado pela antiga excelência de uma Nova Hollywood dos anos 70 e 80, pelo atual escopo cinematográfico ou pela representação do diretor ao cinema. Novamente, Woody Allen é o centro dos debates, onde é conversado sobre seu futuro e possível final de carreira, acelerado pelas denúncias de abuso sexual, pedofilia e atitudes misóginas que foram expostas nos últimos cinco anos.

Nessa terça-feira, 16 de janeiro, o protagonista de Me Chame Pelo Seu Nome, Timothée Chalamet, disse que doará seu salário do novo filme de Allen, A Rainy Day in New York, para diversas organizações não governamentais em resposta ao feedback negativo por ter trabalhado com o cineasta. A carreira de Woody é longa, possui mais de 50 filmes ao longo de muitos anos, produzindo obras com atrizes e atores com bastante nome. Entretanto, em 2014, a filha adotiva de Allen, Dylan Farrow, veio à público, em carta aberta para o The New York Times, para contar que sofreu abuso sexual de seu pai quando era menor de idade. Com 28 anos de idade, a moça decidiu tomar coragem para explicar tudo que aconteceu e relatar casos no qual Allen a abusou sexualmente.

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Muito antes, em 1997, Allen tornou pública sua relação amorosa com Soon Yin-Previn, na época com 19, que também era sua filha adotiva. Outras informações indicaram que a relação entre eles aconteceu muito tempo antes, quando Soon era menor de idade e que ambos foram pegos por Mia Farrow, ex-esposa do cineasta. Dylan Farrow, em recente entrevista ao canal americano CBS, contou sobre as acusações que fez ao pai adotivo, dizendo que elas são verdadeiras.

Desde outubro de 2017, quando Harvey Weinstein foi exposto em um artigo publicado no jornal The New York Times – artigo publicado por Ronan Farrow, filho de Woody Allen com Mia Farrow (há dúvidas dele ser na verdade filho de Frank Sinatra) -, se deu início a uma série de exposições, denúncias e alegações de muitas mulheres contra homens poderosos de Hollywood. Harvey viu seu império ruir, juntamente com Kevin Spacey, que também fora acusado e percebeu que sua carreira praticamente está encerrada. Então, se estes nomes fortes e mais outros estão sendo, aos poucos, boicotados e execrados, quais os motivos que ainda mantém Woody Allen trabalhando?

Muitas pessoas dizem crer que não perdurará por muito tempo a carreira de Woody. Seu filme mais recente, Roda Gigante, apesar de uma recepção boa em crítica, foi massivamente criticado e problematizado por parte do público em geral, além de boicotes das mesmas pessoas, que não foram aos cinemas ver o filme. O feedback negativo foi tão forte que o filme foi indicado à Framboesa de Ouro 2018, no prêmio de pior filme do ano. Motivações que o levaram a esse status estão bem longe do que diz respeito à qualidade do filme.

Questões relacionadas a também à idade do diretor, atualmente com 82 anos, estão pertinentes à suposta aposentadoria. Entretanto, a divulgação das informações da vida pessoal de Woody talvez possam acelerar esse processo. Não ocorreu antes, ou a força contra Allen não foi suficiente talvez por conta de ser um nome excepcionalmente forte na indústria, principalmente por gerar muita receita. Para falar a verdade, sem entrar em conceitos mais complexos, os impositivos são explícitos. A previsão de que a carreira de Allen pode encerrar após A Rainy Day in New York está sendo considerada por muitos desses analistas, principalmente pelo progresso e avanço cada vez mais forte desses movimentos, até porque são liderados e compostos por mulheres de Hollywood: atrizes, diretoras, roteiristas e produtoras.

As explanações e denúncias sobre os casos de assédio sexual contra diversos homens de Hollywood foram importantes, justamente para expôr esse cenário que é mais do comum do que aparenta, afinal, envolve relações de poder inertes à problemas sociais. A força e o progresso desses movimentos, se forem continuados de maneira íntegra e viabilizando espaço e voz a mulheres vítimas de abusos dentro de Hollywood – e/ou até mesmo fora da indústria -, trarão ainda mais resultados efetivos, como aconteceu com Weinstein, Spacey, Louis C.K, e que por mais que tenha demorado, à Woody. Separar um artista de sua obra é um processo que demanda bastante reflexão, mas que às vezes se torna mais emergencial, principalmente pelo que esse artista realizou, em âmbito moralmente errado, ao longo de sua vida.

Um artigo, publicado no jornal The Washington Post em 4 de janeiro de 2018, é de autoria de Richard Morgan. Nele, ele revela que leu notas pessoais de Allen, escritas ao longo de sua carreira e chegou a uma conclusão, analisando elas, de que Woody possui uma certa obsessão por adolescentes. Essa obsessão é mostrada pelo jornalista através de diversos relatos em anotações e escritos do diretor de cinema, acusado por Richard de objetificar mulheres. Um fato curioso é que realmente seus filmes mais recentes desde 2015, O Homem Irracional, Café Society e Roda Gigante – os dois primeiros principalmente -, abordam um relacionamento entre jovens moças, seja com rapazes mais velhos ou não. E em Roda Gigante, Allen teve seu filme problematizado, principalmente por apresentar um estereótipo da mulher indomável e incompreendida, a objetificando e sexualizando as tais características. O artigo, em inglês, pode ser lido integralmente aqui.

Portanto, o que determina possivelmente uma aposentadoria e afastamento de Allen do cinema, é voltar a ser o centro dos holofotes em debates sobre ser um abusador sexual/pedófilo. Acusações e alegações reforçadas pelas próprias acusadoras e apoiadas por outras mulheres em Hollywood.

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