Quentin Tarantino explica acidente com Uma Thurman em Kill Bill: “Um dos meus maiores erros”

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O diretor Quentin Tarantino foi alvo de debates após a entrevista da atriz Uma Thurman no último domingo (04), em que falou sobre o assédio que sofreu de Harvey Weinstein e também sobre alguns conflitos que teve com o diretor nas gravações de Kill Bill Vol. 2.

Em especial, Uma falou sobre um acidente de carro que sofreu ao fazer uma das cenas finais do filme, no qual Tarantino sabia que o carro estava avariado, mas solicitou que a atriz fizesse a cena mesmo assim. Thurman confessou que não o culpa pelo que aconteceu.

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Nessa segunda-feira, no entanto, Quentin se manifestou em entrevista ao site Deadline, contando sobre o relacionamento complexo que tinha com Uma na época.

Perguntado sobre qual foi sua primeira reação quando o artigo do jornal The New York Times, no qual Uma se pronunciou, Tarantino disse: “Eu sabia que a entrevista estava acontecendo. Uma e eu falamos sobre isso, por um longo tempo, decidindo como ela iria falar. Ela queria clareza no que aconteceu no acidente, depois desses anos. Ela perguntou se eu poderia dar a ela o vídeo. Tive que encontrar, 15 anos depois. Tivemos que ir em locais de armazenamento, tirando nossas caixas. Shannon McIntosh encontrou. Eu não podia acreditar. Eu não acreditaria que seríamos capazes de encontrar. Era claro e mostrava o acidente. Eu estava muito feliz de da-lo à Uma.”

Depois, Tarantino foi questionado como foi ver o vídeo dentro do artigo publicado. Ele comentou: “Olha, tudo isso é antigo. Eu vi o vídeo quando encontrei. Vê-lo no artigo não mudou nada. Eu me lembro bem desse dia. Foi um dos últimos dias de filmagem e até a esse ponto, era um ótimo dia. Foi o segundo dia de filmagem da cena do Michael Parks, o Estaban Vihaio. Ele foi incrível na cena, assim como Uma. Literalmente, o último dia de filmagem seria o da direção. Nós encerramos a cena do Esteban e estávamos muito felizes. Era uma cantina estranhamente mexicana e era animador. Nós tínhamos uma repórter da New York Times, Larissa MacFarquhar, que quase foi conosco para a próxima cena. Mas desde que era a última cena, e ninguém sabia que seria grande coisa, foi para casa.

Eu comecei a ouvir o produtor que Uma estava preocupada sobre a cena de dirigir o carro. Nenhum de nós consideramos um dublê. Era só dirigir. Talvez deveríamos procurar algum, mas não fizemos. Lembro que quando isso foi trazido a mim, fiquei irritado e rolei os olhos. Mas estou certo que não era raiva. Posso imaginar talvez revirando os olhos e pensando em tudo que aconteceu, mas não fui barganhar com a Uma em seu trailer, gritando para ela entrar no carro. Todo mundo sabia que Uma sabia que gritar com ela não era a maneira certa dela fazer as coisas. É uma tática errada e eu estava filmando o filme com ela no ano inteiro naquela época. Nunca reagiria assim.

Ouvi a preocupação e fui até o México para verificar que a estrada era boa e que Uma poderia dirigir com segurança. E eu pensei: ‘Isso vai ser bom. É uma cena direta.’ Não havia curvas nem pedras, nada. Era uma linha reta. Uma tinha licença para dirigir. Sabia que era uma motorista instável, mas dirigia. Quando eu terminar de dirigir, estava muito feliz, pensando que ela faria isso tranquilamente. Não seria um problema. Fui até o trailer de Uma, sua maquiadora estava lá. Não estava bravo, irritado… estava sorrindo. Eu disse: ‘Oh, Uma, está tudo bem. Você pode fazer isso. É uma linha reta, é só isso. Você entra no carro no primeiro ponto e dirige até o segundo e pronto’”.

Quentin foi perguntado se ela teria que dirigir rápido. Ele respondeu que deveria manter uma velocidade entre 40 e 70 km/ph, para que seu cabelo balançasse. Era uma linha reta, não tinha obstáculos.

“Eu cheguei lá todo feliz dizendo que ela conseguiria, era uma linha reta, não teria problema. Uma respondeu: ‘Okay’. Porque ela acreditou em mim. Eu falei que seria tudo bem, que era uma linha reta. Que estaria segura. E não foi seguro. Eu estava errado. Eu não forcei ela para entrar no carro. Ela entrou porque confiava em mim. E ela acreditou. Então, ela decidiu que entraria no carro. Eu não sabia de nada sobre o carro não estar bem. A equipe responsável pelo carro não me comunicou nada, então Uma estava pronta. Eu fui até lá e de repente eu mudei a direção da corrida dela, de uma direção a outra porque a luz estava melhor nesse sentido. Uma linha reta é uma linha reta. Então mudamos as posições e aí foi quando ocorreu a batida”.

Tarantino testou a estrada em um dia, mas no sentido anterior, não no que foi remanejado. Pelo vídeo, Uma perde o controle do carro, que acaba batendo uma árvore logo depois. Tarantino confirmou que foi isso que aconteceu e que não sentia a necessidade de testar novamente pois por conta da linha ser reta, não sentia diferença. “Novamente, esse foi um dos maiores arrependimentos da minha vida. Foi um dos meus piores erros. Como diretor, você aprende com os erros. Foi um dos meus piores em que eu não quis testar a estrada mais uma vez, só para ver o que eu queria ver.”

Sobre o acidente, o diretor explicou: “Depois do acidente, no primeiro momento, não sabíamos o que tinha acontecido. Depois da batida, quando Uma foi para o hospital, eu me senti angustiado pelo que aconteceu. Eu andei pela estrada, indo na direção oposta. E andando pela estrada, indo na outra direção… Eu não sei como uma linha reta deixa de ser reta, mas não era reta. Não foi a cena direta, indo por uma outra direção. Há uma pequena curva em S que tem a forma de um pequeno garfo na estada. Não era assim, na direção oposta. Talvez a direção oposta, havia uma ilusão e eu não vi. Nesse sentido, há uma pequena curva e se olhar no vídeo, é onde ela perde o controle do carro. Ela está dirigindo, achando que é uma linha reta e de repente, ela pega essa curva em S e não estava preparada porque não sabia disso. E o carro perdeu o controle”.

Sobre como foi ver a atriz após o acidente e o impacto após a batida, Quentin afirmou que afetou ele e Uma pelos próximos dois, três anos. “Não que não nos falávamos, mas algo se quebrou. Uma confiança foi quebrada depois de um ano de filmagens, onde fazíamos coisas boas. Fazendo grandes cenas, uma parceria boa. Eu queria que ela fizesse o máximo que podia e estávamos tentando cuidar dela. Ela não se machucou e pelos próximos quatro dias, em uma simples sequência de direção, quase a matamos.”

Foi comentado na entrevista que, após o acidente, havia uma interferência em um contrato no qual ela podia processar a equipe pelos danos aos seus joelhos e costas. Tarantino afirmou que imaginou que só poderia ser coisa de Harvey Weinstein.

Sobre o gancho de Harvey, no qual Uma confessou que o ex-produtor dos filmes a assediou e a fez se sentir desconfortável, Tarantino comentou: “Mira [Sorvino] (ex-namorada de Tarantino) me contou sobre as coisas que Tarantino fez com ela. Não pude acreditar. Eramos namorados e ele estava se afastando. Quando estávamos pronto para filmar Kill Bill, Uma me disse que havia um padrão, nos ataques e assédios de Harvey. Então eu fiz com que Harvey se desculpasse com ela. No artigo diz quando Quentin confrontou Harvey? Bem, meu confronto foi dizendo: ‘Você tem que ir até Uma. Isso aconteceu, você tem que pedir desculpas para ela e ela tem que aceitar, se quisermos filmar Kill Bill juntos”.

Quentin foi questionado pelo fato de fazer a desculpa ser uma condição para filmar Kill Bill e continuar o relacionamento de ambos para o estúdio Miramax, e se ele fez isso com um tom calmo ou se confrontou cara a cara.

Tarantino afirmou que foi em um tom insistente e que ficou ainda mais porque Harvey tentou desconversar e colocar a culpa nela. “Não funcionou, porque sabia que ela não estava mentindo. Não havia um outro lado da história. Havia essa história. Harvey sabia desconversar e tinha boa lábia e quando você não conhece a pessoa que estava conversando, pode ser gerado o benefício da dúvida. Nesse caso, eu não dei a ele isso. Sabia que ele estava mentindo, que tudo que Uma disse era verdade. Quando ele tentou sair fora, e tentar desmentir, eu não comprei. Eu disse: ‘Não acredito em você. Acredito nela. E se você quiser fazer Kill Bill, tem que fazer isso certo’”.

Também foi conversado sobre citações que Uma fez no artigo, sobre alguns posicionamentos de Tarantino considerados sádicos por ela nas filmagens de Kill Bill, como os cuspes e o estrangulamento na cena de luta com Gogo. O diretor disse que o cuspe que não foi de uma atitude sádica mas que sim, fazia parte do contexto da cena que estava acontecendo. Essa cena é quando Budd (Michael Madsen) cospe no rosto de Beatrix (Uma), após conseguir pegá-la. O cuspe foi um pedido do diretor para torná-lo mais intimista dentro do contexto da cena. E sobre o estrangulamento, Tarantino disse que não estava seguro de filmar a cena, mas que Uma o confiou para executar, pedindo que um cano fosse colocado atrás da atriz no momento da cena. Ele afirmou que foi ideia de Uma.

O cineasta foi perguntando como ele e Uma estão agora, depois do artigo publicado. “Estamos bem. Uma estava em um turbilhão por conta do ódio contra eu nesse fim de semana. Ela me culpa por não conversar com o jornalista, para dizer que era minha culpa. Estávamos conversando esse fim de semana todo. Toda a raiva que veio para mim, ela não esperava. Temos uma longa e complicada história. Estamos lidando com isso por 22 anos. Somos também as pessoas mais próximas da vida um do outro. Então foi um pouco chocante ler o artigo, quando a linha fina era sobre a raiva de Uma e me colocando no discurso dela contra Harvey.”

Harvey Weinstein deixou de ser o representante e produtor dos filmes de Quentin Tarantino após a onda de acusações feitas contra o figurão de Hollywood.

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