O autor de Game of Thrones, George R.R. Martin, escreveu uma despedida emocionante ao criador da Marvel, Stan Lee, após a morte de Lee, aos 95 anos, na segunda-feira.

A carta, intitulada “Adeus a uma maravilha”, relembra os muitos encontros de Martin com Lee em diversas convenções e relata uma mensagem de Martin endereçada a Lee e ao colaborador Jack Kirby que acabou sendo inserida nas páginas de Quarteto Fantástico #20, de 1963.

Confira a carta abaixo.


“Eu devo muito a Stan Lee. Ele foi, em certo sentido, meu primeiro editor. “Caro Stan e Jack.” Essas foram as minhas primeiras palavras impressas. Na coluna de cartas de Quarteto Fantástico #20, como era de costume. Minha primeira postagem publicada, um comentário sobre uma edição anterior, em que comparava Stan a Shakespeare. Um pouco exagerado, não acha? Tudo bem. Eu tinha treze anos… E ainda, e ainda assim… a comparação, quando você pensa nela, não é inteiramente sem mérito. Houve peças antes de Shakespeare, mas a obra do Bardo revolucionou o teatro, deixando-o profundamente diferente do que era antes.

E Stan Lee fez o mesmo para os quadrinhos. Eu estava lendo quadrinhos durante toda a minha infância, mas no final dos anos 50 comecei a me afastar deles. Eu estava comprando cada vez menos “livros engraçados” (como nós os chamávamos naquela época), e mais livros de ficção científica e fantasia. Os quadrinhos da DC que dominavam as prateleiras haviam se tornado tão estereotipados e cansativos ​​que não estavam mais mantendo meu interesse como quando eu era mais jovem. Eu estava superando os quadrinhos.

Pouco tempo depois, veio o Homem-Aranha. E então o resto, um por um, em um período surpreendentemente curto de tempo. O Hulk. Thor. Homem de Ferro. Homem-Formiga (e a maravilhosa Vespa). Os X-Men. Os Vingadores. Wonder Man (que morreu na mesma edição em que foi apresentado). Pantera Negra. Os Inumanos. Galactus e o Surfista Prateado. E os vilões… Dr. Destino, o Dr. Octopus, o Abutre, o Homem-Areia, Mysterio, Loki… e assim por diante.

Você tinha que estar lá para entender como tudo isso era revolucionário. Quadrinhos como os conhecemos hoje não existiriam se não fosse por Stan Lee. Eles poderiam até não existir, seja dita a verdade. Não, claro, ele não fez tudo sozinho. O gênio dos artistas da Marvel, especialmente Jack Kirby e Steve Ditko, nunca deve ser minimizado. Eles eram uma grande parte da Marvel também. Mas Lee estava no centro de tudo.

Caro Stan, você fez um bom trabalho. Enquanto as pessoas ainda lerem quadrinhos e acreditarem em heróis, seus personagens serão lembrados. Muito obrigado.”

Stan Lee será homenageado em capas de quadrinhos da Marvel

O co-criador de Homem-Aranha, Pantera Negra, Vingadores e X-Men foi levado às pressas para um hospital de Los Angeles na segunda-feira (12), onde faleceu. Stan Lee tinha 95 anos.

O quadrinista ainda deve aparecer em alguns futuros filmes da Marvel, já que suas participações foram gravadas com antecedência.

O último trabalho de Stan Lee para a Marvel foi uma releitura de sua primeira história escrita para a antecessora da empresa, a Timely Comics, publicada em 2014 no especial de 75 anos da Marvel.