Rafael Lage, fotógrafo e artesão, é o diretor do longa metragem Malucos de Estrada – Cultura de BR, O documentário nasceu da iniciativa de Rafael, em desesteriotipar para a sociedade brasileira os Malucos de Estrada, como são conhecidos entre si. É comum as pessoas os verem como “hippies”, mas, eles são trabalhadores que lutam pela própria subsistência e liberdade. O filme está disponível em sua versão beta, pelo site Youtube e já teve 38.654 visualizações até o momento.

O diretor começou fotografando o cotidiano dos artesãos e, mais tarde já estava filmando a ação de policiais e fiscais da Prefeitura de Belo Horizonte (MG) contra esses trabalhadores das ruas. As imagens denunciam o modo preconceituoso e vexatório com o qual os artesãos são tratados. Foram seis anos de filmagem. O coletivo “À beleza da Margem” que conta com a participação dos próprios Malucos de BR produziu dois curtas: “A criminalização do artista” (2011) e “Deumrolê” (2013).

Para viabilizar o projeto Rafael recorreu ao aplicativo do Facebook “Mobilize”, de financiamento coletivo, ele afirma ter buscado essa ferramenta para driblar o sistema: “não foi uma opção, na verdade, foi nossa única alternativa para “hackear” a estrutura e poder viabilizar o documentário. Na configuração atual das leis de incentivo à cultura, quem decide qual projeto vai acontecer é o setor de marketing das empresas, de acordo com o retorno de mídia que terão. É a “mercantilização” da produção cultural brasileira.” Enfatiza.


Malucos de Estrada – Cultura de BR é o segundo filme de uma trilogia filmada em 19 estados do Brasil. O projeto “Coletivo à beleza da margem” arrecadou pelo financiamento colaborativo R$ 65.625,00 de 2072 colaboradores de 26 estados brasileiros. Atualmente o segundo documentário é o único finalizado, para produzir os outros dois filmes está aberta uma campanha de arrecadação de fundos, pelo site Vimeo ou Facebook.

Síntese da sinopse: Os “malucos de estrada” são os protagonistas/atores sociais de uma expressão cultural brasileira que apresenta características singulares, comportando uma “cosmovisão”, práticas, estilos de vida, fazeres e saberes que conferem suas matizes características. No entanto, nos últimos quarenta anos sua existência tem sido “folclorizada” ou mesmo criminalizada pela sociedade e instituições públicas devido a sua invisibilidade e a falta de reconhecimento por parte dos gestores da cultura.

Por Ká Sant’Ana
Estudante de jornalismo do 7º semestre na Universidade Sagrado Coração (USC) em Bauru/SP. Gosta de história, cultura e cinema.
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