2015 é o ano de sequências de grandes sucessos do cinema tais como Vingadores – A Era de Ultron, Mad Max – Estrada da Fúria e o aguardadíssimo Star Wars Episódio VII – O Despertar da Força. Quando uma sequência é lançada vem a inevitável pergunta: será tão bom quanto o original? Na lista que iremos mostrar a seguir a resposta é sim e – acrescentamos – até supera o filme original. Confiram:

Mad Max 2 – A Caçada Continua (The Road Warrior – 1981)

Mad Max 2 – A Caçada Continua (The Road Warrior – 1981)


O ator Mel Gibson e o diretor George Miller já haviam atraído a atenção dos críticos e cinéfilos do mundo para o cinema australiano com Mad Max (1979), o qual apresentava uma sociedade futurista à beira do apocalipse, com grandes cenas de ação e violência que tornou o filme um sucesso local e internacional.

Em Mad Max 2, o apocalipse finalmente aconteceu e Miller incrementou as mesmas cenas de ação e violência com um visual decadente e punk que marcou época e criou o “Faroeste Tala-Larga”. O filme foi sucesso mundial e Mel Gibson, com seu anti-herói desesperançoso e à beira da loucura, tornou-se um astro para além das fronteiras da Austrália. Com esse sucesso, Gibson e Miller tiveram as portas abertas para o cinema estadunidense e se consagrariam em filmes tais como Máquina Mortífera, As Bruxas de Eastwick, Coração Valente e Happy Feet.

Trailler de Mad Max 2 – A Caçada Continua (original em inglês):

Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa (Star Trek IV: The Voyage Home – 1986)

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A série de TV Jornada nas Estrelas (Star Trek 1966-1969) era um fenômeno sociológico e mercadológico, portanto nada mais natural que levá-la aos cinemas (principalmente após o estrondoso sucesso de Star Wars, de George Lucas, em 1977). O primeiro filme Jornada nas Estrelas, o Filme (Star Trek The Motion Picture), de 1979, fez sucesso e gerou as sequências Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan (1982) e Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock (1984), este dirigido pelo próprio Sr. Spock, Leonard Nimoy, morto recentemente (veja aqui a sua biografia). Nimoy também dirigiu a próxima sequência, Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa, em 1986.

Com o original tema ecológico de proteção às baleias, leve e agradável, o filme foi um grande sucesso de público e crítica, tendo recebido quatro indicações para o Oscar e foi considerado o melhor filme da franquia de Jornada nas Estrelas até então. A prestigiosa ONG World Wildlife Foundation (WWF) o “adotou” como um de seus filmes. E, ainda por cima, teve o privilégio de ser o primeiro filme da franquia a ser exibido na então União Soviética, em 1987. Na estreia, em Moscou, na qual compareceram Nimoy e o produtor Harve Bennett (também recentemente falecido), o público presente aplaudiu a tripulação da Enterprise em pé.

Trailler de Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa (original em inglês):

Máquina Mortífera 2 (Leathal Weapon 2 – 1989)

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O primeiro Máquina Mortífera (Leathal Weapon) foi considerado o sucesso-surpresa de 1987. A direção ágil de Richar Donner (de A Profecia e Superman, o Filme) nas cenas de ação e humor e a química entre os atores Danny Glover (de A Cor Púrpura) e Mel Gibson (da série Mad Max e Galipoli) garantiram esses sucesso e surpresa e fez de Gibson um astro do primeiro time de Holywood.

A sequência surgiu naturalmente: Maquina Mortífera 2 veio em 1989 com mesma fórmula de seu antecessor e mais: a alucinada cena de perseguição que aparece logo ao iniciar o filme é simplesmente antológica! A luta contra o apartheid, o odioso regime racista que, na época, vigorava na África do Sul, foi muito bem explorada pelo filme e fez com que milhões pessoas ao redor do mundo aderissem à causa. Os vilões fazem jus ao nome (com destaque para Joss Ackland), Joe Pesci (de Os Bons Companheiros) está hilário e Gibson faz um par romântico e sexy com Patsy Kensit (de Absolute Beginners). O filme foi terceira maior bilheteria do ano – perdendo apenas para Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg, e o campeão Batman, de Tim Burton, de cuja sequência falaremos a seguir.

Trailler de Máquina Mortífera 2 (original em inglês):

Batman, o Retorno (Batman Returns – 1992)

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O ano de 1989 será sempre lembrado na história do cinema como “o ano do morcego”, pois foi quando estreou Batman, dirigido pelo excêntrico, mas talentoso, diretor Tim Burton (de Os Fantasmas Se Divertem), com o ator Michael Keaton (que trabalhou com Burton em Os Fantasmas) no papel de Batman (contestado pelos fãs dos quadrinhos) e Jack Nicholson (de Um Estranho no Ninho) no papel do vilão Coringa (completamente aprovado pelos mesmos fãs). O filme, uma superprodução com cenários gigantescos, foi a maior bilheteria do ano, mas, foi feito meio às pressas para que o lançamento coincidisse com o cinquentenário do herói (criado em 1939 pelo desenhista Bob Kane).

Diante do baita sucesso, uma sequência seria inevitável, mas Burton não estava muito animado com a ideia até receber o roteiro. Com um orçamento maior e também com cenários gigantescos, Burton pôde filmar com mais calma e desenvolver melhor as suas ideias. Keaton voltou a fazer o homem-morcego e, para os vilões, foram chamados o tampinha Danny DeVito (de Irmãos Gêmeos) para o papel do Pinguim – com uma maquiagem que o deixou irreconhecível – e a bela Michelle Pfeiffer (de Ligações Perigosas) como a Mulher-Gato. Os resultados foram uma história bem elaborada, boas cenas de ação, um visual muito mais gótico e sombrio, um Cavaleiro das Trevas depressivo, um Pinguim grotesco e uma Mulher-Gato sexy com um visual sado-masoquista que fez ferver as fantasias de muitos homens (e muitas mulheres também). O filme é, até hoje, um sucesso cult e teve a maior semana de estreia da história do cinema, recorde que detém até hoje.

Trailler de Batman, o Retorno (original em inglês):

Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca (Star Wars Episode V: The Empire Strikes Back – 1980)

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Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, de 1977 (na época chamado apenas de Star Wars), foi o grande sucesso do ano, tendo sido indicado a 10 Oscars no ano seguinte e conquistado seis mais um prêmio especial. O filme revolucionou os efeitos especiais, inaugurou a era dos “Blockbusters” (“arrasa-quarteirões”, em inglês) e colocou o diretor George Lucas no patamar dos gênios do cinema mundial. É claro que uma sequência era esperada, mas será que esta conseguiria superar um filme considerado um dos melhores já feitos?

Para o episódio V, Lucas, surpreendendo a muitos, não quis dirigir o filme, preferindo elaborar o roteiro. A direção foi deixada a cargo do experiente Irwin Kershner (de Os Olhos de Laura Mars e Robocop 2). Além dos personagens clássicos do filme anterior (Luke Skywalker, Han Solo, Princesa Leia, Darth Vader, etc.) foram introduzidos novos personagens tais como Lando Calrissian (vivido por Billy Dee Williams, de Falcões da Noite), Mestre Yoda (um boneco feito por Frank Oz, um dos criadores dos Muppets) e o cultuado Boba Fett (interpretado pelo ator britânico Jeremy Bulloch, que atuou em vários episódios da série de TV Doctor Who).

O resultado, além de efeitos especiais muito melhores que o de seu antecessor – no qual pode-se perceber a tridimensionalidade das naves no espaço sideral – há também uma história digna de uma tragédia grega, com direito a uma chocante revelação de Darth Vader a Luke Skywalker e um final em aberto, indefinido, que entrou para a história do cinema. O filme foi selecionado para preservação pelo registro de filmes da Biblioteca do Congresso dos EUA por ser culturalmente, historicamente e esteticamente significativo. A Força estava realmente com George Lucas e sua turma…

Trailler de Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca (original em inglês):

O Poderoso Chefão: Parte II (The Godfather: Part II – 1974)

O Poderoso Chefão Parte II

O diretor Francis Ford Coppola (de Apocalypse Now e Drácula de Bram Stoker) havia se consagrado em 1972 com o filme O Poderoso Chefão (The Godfather), baseado no romance do escritor ítalo-americano Mario Puzo, que conta a história da família mafiosa Corleone. O filme conquistou três Oscars: Melhor Filme, Melhor Ator (para Marlon Brando, de O Último Tango em Paris, no papel de Don Vito Corleone) e Melhor Roteiro Adaptado (de Coppola e Puzo). O filme é um dos mais aclamados e importantes do cinema mundial e, assim como Star Wars Episódio V, foi selecionado para preservação pelo registro de filmes da Biblioteca do Congresso dos EUA por ser culturalmente, historicamente e esteticamente significativo.

Para um filme dessa envergadura, uma sequência seria possível?

A resposta para essa pergunta é: sim. Coppola viu na sequência um desafio à sua criatividade e, tão logo a primeira parte foi exibida e premiada, começou a trabalhar com Puzo no roteiro da segunda parte. Michael Corleone (vivido por Al Pacino, de Perfume de Mulher) é agora o chefe da família e, paralelamente, é contada a infância e juventude de Vito Corleone (interpretado por Robert De Niro, de Touro Indomável) até este tornar-se um chefão da Máfia. O filme tem ainda a participação de ninguém menos que Lee Strasberg, fundador da importante escola de representação Actor’s Studio e mentor de atores como os próprios Brando, De Niro e Pacino. Em uma ousada atitude para a época, Coppola mostra a Revolução Cubana como um processo e uma consequência contra um governo completamente corrupto controlado por mafiosos. Era a atitude mais simpática à ilha comunista até então. O filme tem cenas memoráveis, o que inclui o seu final, uma das mais surpreendentes, chocantes e históricas de sempre (não será contada aqui para não estragar a surpresa).

O filme estreou em 1974 e foi uma enxurrada de elogios. No ano seguinte, nova consagração para Coppola: a sequência ganhou nada menos que seis Oscars que inclui o de Melhor Filme (sendo a primeira sequência a ganhar esse prêmio), Melhor Diretor e Melhor Ator Coadjuvante para De Niro (que, em algo muito raro no cinema, um ator diferente é premiado por interpretar o mesmo personagem). O desafio criativo de Coppola foi vencido e, assim como seu antecessor, o filme foi selecionado para preservação pelo registro de filmes da Biblioteca do Congresso dos EUA.

Trailler de O Poderoso Chefão: Parte II (original em inglês):

Por João Carlos Correia
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