De Diego Almeida

Estreou nesta sexta-feira (5) pela Netflix Sense8, a primeira série criada pelos irmãos Andy e Lana Wachowski, idealizadores da franquia Matrix. A trama global acompanha oito indivíduos ao redor do mundo, os “sensate” do título, que estranhamente são ligados por uma pessoa (ou ser) e passam a lutar pela própria sobrevivência.

Como poderíamos esperar de uma produção dos Wachowski, nada é entregado de bandeja e os primeiros episódios não fazem o menor esforço para situar o público na história.


Reciclando temas de séries como Heroes, Six Degrees e do filme A Viagem, um dos últimos trabalhos dos cineastas, a atração começa se apoiando em eventos que parecem ter saído de um confuso longa de ficção científica – o que não é ruim para quem gosta do gênero, mas tira a atenção do espectador comum nos seus primeiros 6 minutos. A única coisa boa dessa salada é a convincente atuação de Daryl Hannah como a responsável por conectar todos os oito.

Talvez a intenção dos Wachowski com tanta complexidade fosse dividir com o público o sentimento de confusão dos personagens quando começam a receber aparições e ter alucinações, que só piora quando eles se encontram numa espécie de “plano mental”.

Por falar nisso, a série perde a chance de explorar personagens interessantes, bidimensionais, que são subaproveitados em tramas rasas. Pelo menos o tema da busca por identidade, bem como da aceitação dela, representado por personagens homossexuais, é um dos pontos altos de Sense8.

Pouco se salva neste inSensato seriado, mais uma decepção dos Wachowski e que destoa muito do restante da boa programação da Netflix. Aliás, já está na hora dos Wachowski – que vem tocando samba de uma nota só desde Matrix – virarem o disco. Não é à toa que eles não conseguem emplacar outro sucesso desde a trilogia, colecionam apenas fracassos.

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