Ele é considerado como uma espécie de “último dos moicanos” do cinema de denúncias. Conhecido por filmes como Z (1968, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro), Estado de Sítio (1972), Desaparecido, Um Grande Mistério (1982, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes) e o polêmico Amen (2002), todos de alto teor político e social, o cineasta grego naturalizado francês Konstantinos Gavras, mais conhecido como Costa-Gavras, nunca teve papas na língua e sempre botou a boca no trombone sobre aquilo que julga serem as injustiças do mundo, seja a sangrenta ditadura militar do general chileno Augusto Pinochet, a corrupção no interior da Igreja Católica ou o desemprego internacional.

Tido como um ícone do cinema político e vivendo há muitos anos em Paris, Costa-Gavras, entretanto, nunca deixou de acompanhar a situação interna de sua Grécia natal, especialmente agora na terrível crise social e econômico-financeira pela qual o país passa devido ao duríssimo programa de austeridade imposto pela chamada “Troika” (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) e denuncia repetidamente o que define como “a humilhação do povo grego”. Um drama que bem poderia ter saído de um roteiro de um de seus filmes.

Em recente entrevista à repórter Isabelle Kumar durante o programa Global Conversation, do canal de notícias europeu Euronews, em resposta à pergunta que, em seus filmes, “há muitas vezes um herói solitário, que enfrenta o poder. Alexis Tsipras (atual Primeiro-Ministro grego, do partido de esquerda Syriza) podia ser o seu novo herói?”. Costa-Gavras respondeu:


“Na política sim. Para um filme, não sei, mais tarde veremos. Mas sim, acho que ele é uma figura excepcional atendendo aos padrões gregos. É um homem que emergiu da classe média e que tem subido muito rapidamente. Os gregos confiam nele, tem uma grande confiança por detrás dele. As pessoas interpretam-no mal e à sua forma de pensar”.

Mais adiante, ao ser perguntado que papéis daria, em um dos seus filmes, a Tsipras, Yanis Varoufakis (ex-ministro da economia do governo grego que, recentemente, renunciou ao cargo), Angela Merkel (Primeira-Ministra da Alemanha), Mario Draghi (Primeiro-Ministro da Itália) e o presidente do Banco Central Europeu, com muito bom humor, Costa-Gavras respondeu que daria o papel que eles têm na política, mas com uma vertente cômica.

Veja aqui a entrevista completa (traduzida em português europeu):