Em uma reveladora entrevista ao HitFix, Paul Haggis, diretor de Crash: No Limite (2004), admitiu que seu filme não merecia vencer o Oscar. Além da estatueta de Melhor Filme, o título ganhou o troféu de Melhor Edição e ainda rendeu a Haggis o Oscar de Melhor Roteiro.

“Foi o melhor filme do ano? Eu não acho que foi. Havia grandes filmes naquele ano. Boa Noite e Boa Sorte, incrível. Capote, um longa formidável. O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, ótimo filme. E também Munique, de Steven Spielberg. Ou seja, que ano! Crash, por algum motivo, afetou e tocou as pessoas. E você não pode julgar qual desses filmes é o melhor. Eu fiquei muito feliz de ter levado aqueles Oscars. Foi uma coisa adorável, mas você não deveria me perguntar qual o melhor filme daquele ano pois eu não votaria em Crash, só porque eu vi a maestria dos outros filmes [concorrentes]. Mas tenho muito orgulho do fato de Crash ter sensibilizado as pessoas, que ainda vêm até mim e me dizem que o filme mudou a vida delas. Eu ouvi isso dezenas de vezes. Então, o filme tem os seus méritos. Eu acho que foi um bom experimento social, mas é um excelente filme? Eu não sei”, confessou.

Na época, a vitória de Crash: No Limite no Oscar foi cercada de polêmica, já que muitos acreditavam (inclusive eu) que Brokeback Mountain merecia levar o prêmio máximo – “injustiça” agora admitida pelo próprio diretor de Crash – e que só não levou porque teria “chocado” os conservadores votantes da Academia por sua temática gay.


O longa de Paul Haggis explora tensões raciais em Los Angeles através de histórias entrelaçadas. A trama foi inspirada em um acidente de carro real envolvendo o diretor em 1991.