Batman vs Superman | As implicações da morte de herói no universo da DC no cinema

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Antes de qualquer coisa, um aviso: só leia esse artigo se você já assistiu a Batman vs Superman: A Origem da Justiça! É sério, o spoiler do qual trataremos aqui é positivamente gigantesco.

Ainda por aqui? Então você provavelmente já deve saber que, no final do filme de Zack Snyder que tem dividido críticos e fãs mundo afora, o kryptoniano mais famoso do planeta é impiedosamente massacrado pelo Apocalypse, um monstrengo de DNA adaptável criado por Lex Luthor a partir dos restos mortais do General Zod. Ecoando um acontecimento dos quadrinhos, o Superman é abatido pelo vilão e enterrado pela mãe, Martha Kent, e por uma nação de luto.

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De certa forma, a morte de Kal-El é um choque que completa narrativamente a proposta de Batman vs Superman, sua análise do mito dos super-heróis e do que ele significa para uma sociedade perdida nos próprios males, cujas aspirações a ideais parecem mais distantes do que nunca. A morte do Superman é a morte do nosso idealismo e, para o filme, o nascimento de uma vontade dura e realista de proteger o nosso mundo de ameaças (daí os movimentos que o Batman de Ben Affleck faz no final para começar a reunir a Liga da Justiça).

Não é uma má ideia para o filme, em termos de trama, matar o Super-Homem. O impacto dessa morte pesa menos do que deveria, talvez, por alguns motivos: primeiro, ela vem no final de uma exaustiva exibição de efeitos especiais que não combina com o filme que veio antes dela e tira alguns pontinhos da nota geral de Batman vs Superman; segundo, nos momentinhos finais do filme vemos o punhado de terra sobre o caixão de Clark Kent se levantar.

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Esse truque no final, é claro, não exatamente surpreendeu ninguém que esteve prestando atenção: abrir mão do Superman de vez não seria a decisão comercial mais sábia para a Warner/DC nessa fase da construção de seu universo, sem contar que Henry Cavill já tem contrato assinado para aparecer nos dois filmes da Liga da Justiça, que chegarão aos cinemas em 2017 e 2019, e não é muito provável que essas aparições sejam só como um fantasma ou uma alucinação de algum dos outros membros da Liga, né?

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Claro, nós ainda não sabemos exatamente como o universo cinematográfico da DC vai lidar com a ressurreição de Kal-El, e o quanto a audiência está disposta a engolir em pleno século XXI, em um contexto de narrativa muito mais sóbrio e “realista” do que os quadrinhos geralmente são, especialmente aqueles que contem ressureições milagrosas de personagens importantes da editora.

Teremos que esperar para ver, mas por enquanto é inegável que a morte do Superman é algo sem muita consequência dentro do contexto de Batman vs. Superman e dos filmes da DC, muito mais um dispositivo de trama para incentivar Bruce Wayne a formar a Liga da Justiça do que qualquer outra coisa.

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Nos quadrinhos, no entanto, o filho de Krypton já pereceu frente aos seus inimigos algumas vezes. De quando em quando a DC gosta de usar esse recurso como uma estratégia de choque, embora todo mundo saiba, com bastante certeza, que a editora não está prestes a deixar o seu personagem mais popular para trás sem mais nem menos.

Em 1966, um vilão chamado Zunial o matou com um raio de kryptonita, mas um androide desenvolvido por alguns outros vilões, treinado para agir em combate como o próprio Superman, deu sua vida artificial em troca da de Kal-El, que assim ressuscitou. E sim, isso não faz absolutamente o menor sentido – ah, os anos 60!

Em 1971, durante uma aventura com a Liga da Justiça, Clark Kent foi hipnotizado pelo Doutor Luz a obter uma poderosa varinha mágica que o vilão usou para matar Superman. Dessa vez, foi o Batman que salvou o Super-Homem, recuperando a varinha das mãos do Doutor Luz e revertendo o feitiço imediatamente.

Em 1977, o Conde Cristal, um mestre da magia, mata o Superman, e mais uma vez a Liga da Justiça parte em resgate. Liderada pelo Vingador Fantasma, a Liga parte para o reino das almas perdidas para resgatar o Superman e trazê-lo de volta à vida.

Por fim, em 1992, a morte mais marcante do personagem chegou pelas mãos do mesmo Apocalypse que o massacrou no filme de Zack Snyder. Nessa história, um antigo inimigo do Superman, o Erradicador, se mostra arrependido e leva o corpo do Superman para a matriz de regeneração da Fortaleza da Solidão, onde o Super-Homem permanece se recuperando por um longo período de tempo, retornando à ativa mais ou menos um ano depois de sua morte nos quadrinhos.

Apesar da ausência do personagem do Erradicador nos filmes da DC até agora, será que é impossível que o corpo de Kal-El esteja nesse momento se recuperando dentro da nave de Krypton? Difícil prever, mas de todas as histórias de ressurreição do Superman essa é a que pareceria mais aceitável para o público atual.

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