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Festival de Curitiba | 3º Dia – 5º Olhar de Cinema

Publicado por Redação

14/06/2016 00:00

Dois filmes completamente diferentes foram assistidos pelo Observatório do Cinema no terceiro dia do 5º Olhar de Cinema. O recém-restaurado documentário italiano Anna (1975), de Alberto Grifi e Massimo Sarchetti foi o primeiro deles. Essa longa integra a mostra Exibições Especiais. E o segundo foi o ficcional brasileiro O Estranho Caso de Ezequiel (2016), do cearense Guto Parente. Esse integrante da mostra Competitiva.

Restaurado pela Cinemateca de Bologna, esse primeiro documentário italiano feito em vídeo, exibe a relação dos dois diretores, mas principalmente a de Alberto Grifi, com essa jovem de 16 anos, originária da Sardenha. Grávida de sete meses, ela morava nas ruas de Roma e acabou sendo acolhida por Grifi em sua casa. Ele acabou cuidando dela, mas ao acolhe-la, aproveitou para fazer esse documentário.

Grifi e Sarchetti acabaram indo às ruas para fazer reconstituições de como encontraram Anna, conversar com os jovens hippies que conviviam com a jovem, perguntar para conhecidos, como um advogado, quais problemas jurídicos poderiam ter ao hospedarem a jovem em casa; durante as gravações no apartamento de Grifi, encenam momentos, como o do primeiro banho dela, gravam o tratamento dela contra piolhos, os momentos de mau humor e tristeza da jovem.

Em pouco mais de 3h40, todas essas situações são permeadas por conversas sobre o que os jovens italianos deveriam estar ou fazer, sobre o sistema capitalista e em como supera-lo, seja por meio de uma revolução, seja por meio da paz e amor, o papel da mulher na sociedade, inclusive, com a gravação de uma passeata feminista em um 8 de março, que foi duramente reprimido pela polícia italiana. Por ter sido gravado no inicio da tecnologia em vídeo, o documentário tem uma textura visual muito interessante de ser vista hoje dia, a era da tecnologia da ultra definição.

Os dois diretores italianos se apropriaram de uma nova tecnologia e, com isso, puderam filmar de uma nova forma, que até aquele momento, não era possível ser feita com câmeras de rolo. Eles fizeram gravações mais intimistas em ambientes fechados e conseguiram dar agilidade as gravações externas. Como era o inicio da tecnologia do vídeo, as imagens têm uma ausência de cor que acabou reforçando o peso da história. A captação de som – aparentemente, apenas por meio de um microfone – apesar de simples, foi bem eficiente. Quando não era por ele, foi por meio do telefone.

A ideia de reconstituição e de flashbacks para mostrar situações anteriores ao inicio da gravação com Anna foi uma sacada muito interessante da parte deles. Eles, inclusive, gravaram tentativas de reconstituição que acabaram não conseguindo realizar, mas eram importantes para mostrar algum aspecto da jovem que era interessante o espectador saber.

No filme do cineasta cearense Guto Parente, O Estranho Caso de Ezequiel, a cor já salta aos olhos. Até um dos personagens que surge no longa é verde. Inspirado na história de Ezequiel, da Bíblia, ele conta a história deste homem que acaba de perder a mulher e cuja vida muda após um estranho acontecimento envolvendo uma estrela. Porém, o que acontece com ele não é muito bem aceito pelo seu religioso vizinho.

O filme de Parente tem uma fotografia muito bem trabalha. Ela exala as fortes cores existentes no nordeste brasileiro. Dirigida por Felipe Acácio, a fotografia é uma parte muito importante da história que está sendo contada. Assim, com os sons ambientes e os sofridos silêncios ao redor do personagem interpretado pelo ator Euzébio Zloccowick, que, infelizmente, morreu três dias dessa exibição. O diretor cearense dedicou essa sessão a ele. E, realmente, Zloccowick atuou magistralmente. Tinha expressões suaves, porém transmitiam o necessário para entendimento do momento pelo qual passava o personagem.

Porém o roteiro escrito pelo próprio Parente peca na segunda parte do filme. Apesar de tentar ser poética, essa tentativa não combinou com os elementos criados por ele para interagir com os personagens nessa parte do longa. A produção poderia ter ficando mais poética se tivesse sido encerrada em uma imagem que remete a uma estrela cadente, entretanto que se dirige ao espaço. Desta forma, o desfecho dos personagens poderia ficar de uma poética indescritível, porém Guto Parente quis mostrar o que se passou com aqueles estranhos personagens após um determinado evento.

O 5º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba irá até dia 16 com sessões nas salas do Espaço Itaú de Cinema, do Shopping Crystal e do Shopping Novo Batel, ambos no bairro Batel, no centro de Curitiba. Para mais informações, acesse o site olhardecinema.com.br.

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