“Eu era neném, não tinha talco, mamãe passou açúcar em mim”. Quem nunca escutou o clássico de Wilson Simonal? Agora, o público vai poder não só ouvir, mas também ver na tela do cinema a história do cantor e compositor que quebrou paradigmas da música e da sociedade brasileira dos anos 60 e 70.

Fabrício Boliveira dá vida ao rei da pilantragem, como era divertidamente conhecido o personagem título da cinebiografia musical Simonal. O filme aborda o sucesso do carioca e a queda, igualmente rápida, depois que é apontado como informante do Dops.

Quem o acompanha e o apoia, mas também o coloca contra a parede é a “nega chamada Tereza”, sua mulher, interpretada por Isis Valverde. Com previsão de estreia para 2019, o drama foi produzido pela Pontos de Fuga e será distribuído pela Downtown/Paris Filmes.


O diretor Leonardo Domingues acredita que Fabrício Boliveira e Wilson Simonal se assemelham por conta da personalidade:

“Os dois têm um jeito altivo, charmoso e sedutor, com um brilho no olhar. E para interpretar o rei da pilantragem, Fabrício traz para o personagem força e carga dramática. Mais do que o Simonal cantor, eu queria mostrar o Simonal marido, pai, empresário, o homem por trás da fama”.

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A trilha sonora do longa é assinada pelos irmãos Simoninha e Max Castro, filhos do cantor.

“Apesar da proximidade deles, ambos fizeram questão de dar total liberdade para a criação do filme e não interferiram na maneira como a história de seu pai foi contada, mas contribuíram imensamente”, explica Leonardo.

O filme é ambientado em um rico momento da música brasileira e personagens da época circulam pelas cenas, como Erasmo Carlos, Ronaldo Bôscoli, Luis Carlos Miele e Elis Regina. Leandro Hassum interpreta Carlos Imperial, o primeiro a perceber o talento de Simonal.

O elenco conta ainda com Mariana Lima, Silvio Guindane, Caco Ciocler, Bruce Gomlevsky, Fabricio Santiago, Letícia Isnard, João Velho e Dani Ornelas.

Antes de virar cinebiografia, a vida de Simonal foi tema do documentário Ninguém sabe o duro que dei, de 2009, dirigido por Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. Simonal, inclusive, traz referências do filme, além das biografias Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre, e Simonal: Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga, de Gustavo Alonso.

Simonal, que concorre na Mostra Competitiva do 46º Festival de Cinema de Gramado, será exibido no dia 20 de agosto, no Palácio dos Festivais, com a presença do diretor Leonardo Domingues, de Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Caco Ciocler e dos filhos de Simonal, Patrícia, Wilson Simoninha e Max de Castro. Uma cena do filme pode ser assistida abaixo: