“Eu não era a pessoa mais adequada. É algo curioso, porque às vezes você pensa que é uma pessoa instruída e, mesmo assim, comete falhas. Eu reflito sobre isso o tempo todo. Quando anunciaram que eu ia fazer a Joana D’Arc, tiveram vários comentários criticando, falando ‘Ela é muito clara’. E quando li aquilo, vi que eles estavam totalmente certos”, disse a atriz para o Notícias TV.

“Nosso país tem milhões de problemas, e essa atriz de pele mais escura deve estar cansada de ouvir que não pode fazer um ou outro papel porque não é adequado para ela. Nesse caso, o papel é absolutamente adequado, então ninguém vai dizer que ela não pode fazer”, justifica.

Apesar de tudo, Araújo tirou da experiência algo positivo. Ela afirma que percebeu que todos os dias precisamos estar aprendendo, numa evolução contínua.


“Acho que essa inclusão ainda é um processo muito recente, e nós vamos cometer falhas e vamos cometer excessos. É um caminho que nunca trilhamos, e que não sabemos onde vai dar. Mas, com certeza, vai ser para um mundo diferente, mais justo, porque nesse aqui nós já vivemos demais e cansou”, explica.

Taís Araújo continuará trabalhando no longa-metragem sobre a vida e carreira de Joana D’Arc Félix, mas, agora, apenas na produção do projeto.

O filme contará a história da brasileira que teve infância pobre e se tornou PhD em química na prestigiada universidade norte-americana de Harvard. Mais nomes do elenco não foram revelados.

Em sua carreira, Joana D’Arc Félix, que está com 55 anos, conquistou 56 prêmios. Entre eles está o de Pesquisadora do Ano no Kurt Politizer de Tecnologia, de 2014.

O projeto é da Globo Filmes e tem roteiro de Álvaro Campos, com supervisão de Patrícia Andrade. A direção fica por conta de Alê Braga.

O filme sobre a cientista brasileira ainda não tem previsão de estreia.