Ben-Hur: Remake do épico deu prejuízo milionário para estúdio

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Lançado em 2016, o remake de Ben-Hur, um dos maiores épicos do cinema hollywoodiano, que entra em cartaz no Tela Quente, da Rede Globo, desta segunda-feira (29), veio cercado de expectativas. Mas a nova versão de Ben-Hur (1959) falhou homericamente na missão de impressionar – tanto público quanto crítica.

Segundo levantamento da Variety, o novo Ben-Hur acabou gerando um prejuízo de US$ 48 milhões para o principal estúdio que o financiou, a MGM. Com um orçamento acima de US$ 100 milhões, o filme saiu dos cinemas com arrecadação mundial de US$ 94 milhões (cerca de 11% da bilheteria do filme original).

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Baseado no livro de Lew Wallace, o remake de Ben-Hur acompanha a história épica de Judah Ben-Hur (Jack Huston), um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala (Toby Kebbell), um oficial do exército romano.

Destituído de seu título, afastado de sua família e da mulher amada (Nazanin Boniadi), Judah é forçado à escravidão. Depois de muitos anos no mar, Judah retorna à sua pátria em busca de vingança, mas encontra a redenção. O remake mostra paralelamente a jornada de Jesus Cristo (Rodrigo Santoro) até sua condenação por Pôncio Pilatos (Pedro Pascal). Morgan Freeman, Olivia Cooke e Ayelet Zurer também integram o elenco do novo Ben-Hur.

O roteiro foi escrito por Keith Clarke e revisado por John Ridley (12 Anos de Escravião). A direção ficou a cargo do russo Timur Bekmambetov (O Procurado, Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros).

Hollywood não aprendeu nada com Ben-Hur

Em 4 de abril de 1960, Ben-Hur fez história. Em uma cerimônia realizada no teatro da RKO em Hollywood, o filme dirigido por William Wyler, baseado na obra épica passada nos tempos do império romano, levou 11 estatuetas do Oscar para casa, estilhaçando o recorde anterior (de Gigi, em 1959, com nove vitórias) e estabelecendo um novo que persiste mesmo com a insistência de Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, que também levaram 11 cada. Ben-Hur levou seus 11 Oscars a partir de 12 indicações – ou seja, perdeu só a de Melhor Roteiro Adaptado.

A excelência da produção de monumentais 3 horas e 32 minutos, com uma das cenas de ação mais celebradas da história do cinema em seu clímax (a corrida de bigas), serviria ironicamente como o prefácio de uma decadência para o formato do épico hollywoodiano – embriagados pelo sucesso espetacular de Ben-Hur, que ainda fez algo em torno de US$ 848 milhões de dólares ao redor do mundo na bilheteria (ajustando-se para a inflação dos últimos 50 e tantos anos, claro), levou uma infinidade de estúdios a tentarem seus próprios épicos, e foi aí que a coisa começou a degringolar.

Pois parece que Hollywood não aprendeu nada no último meio século. Se na época o erro foi tentar replicar Ben-Hur, em 2016 o erro foi tentar refazê-lo. Pior, refazê-lo em uma versão considerada mais “digerível” para o público médio – com apenas 2 horas de duração, um diretor de ação estilizada (Timur Bekmambetov, de O Procurado) e uma campanha de marketing focada diretamente na corrida de bigas “selvagem” da nova versão. Hollywood não entendeu que Ben-Hur foi Ben-Hur porque era maior que a vida, espetacular, gigantesco, megalomaníaco. Tentar diminuí-lo para caber na mesquinharia das ambições financeiras de um estúdio nunca ia funcionar.

Dito e feito. Com uma estreia medíocre nos EUA e uma performance não muito animadora no resto do mundo, o novo Ben-Hur de espetacular só tem mesmo o tremendo naufrágio de bilheteria que se tornou.

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