Em Frozen 2, Elsa atende ao chamado de uma voz misteriosa e sem corpo – cuja melodia se inspira em algumas tradições musicais do mundo real.

O imensamente bem-sucedido primeiro filme de Frozen girou em torno de Elsa e sua irmã Anna chegando a um acordo com seus poderes elementares e protegendo seu Reino de ameaças óbvias e obscurecidas.

Na sequência, as duas irmãs e seus amigos viajam para o norte em busca de respostas, sem saber que serão forçadas a contar com as ações de seus ancestrais.


Embora os poderes de Elsa sejam a força motriz do enredo no primeiro filme, é apenas em Frozen 2 que suas origens são investigadas, embora sem intenção.

A princípio, a voz que chama Elsa em “Into the Unknown” parece prometer respostas aos desastres naturais que atormentam Arendelle, mas, quando ela e o grupo embarcam em sua busca, descobrem que essas respostas estão envolvidas nas forças mágicas da terra que ela canaliza.

Um papel totalmente de canto, interpretado pela artista norueguesa Aurora, a Voz é finalmente revelada como o eco da mãe de Elsa, chamando-a através do tempo e do espaço através de uma melodia enigmática.

As quatro notas que compõem a totalidade das “falas” da Voz são extraídas do Dies irae, um hino católico do século XIII que tem sido consistentemente referenciado em músicas religiosas e seculares desde a sua criação. A letra, originalmente escrita em latim, refere-se ao Último Julgamento, levando ao uso comum da música em marchas fúnebres.

Assim, suas participações na cultura pop tendem a ser mais ameaçadoras do que energizantes (como em O Iluminado, Poltergeist – O Fenômeno e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, por exemplo), mas esse uso irônico talvez prenuncie as informações iconoclastas que Elsa, Anna e a turma descobrem seguindo a Voz.

Inspiração sombria

Essa inspiração ortodoxa elevada é contrabalançada por outra fonte que se aproxima do ambiente nórdico de Frozen. Ao falar com o New York Times, Robert Lopez confirmou que a entrega do refrão da Voz é uma homenagem ao kulning, um estilo de canto escandinavo usado para pastorear gado a longas distâncias.

Como Dies irae, kulning tem séculos de idade, mas sua tradição musical é muito mais pastoral, sem significado religioso conhecido. Além disso, de acordo com o foco em irmãs dos filmes, kulning está especificamente associado a cantoras em seu uso histórico.

Apesar de ser uma personagem (efetivamente) invisível em um filme visualmente marcante, a Voz é uma força essencial para levar Elsa à ação, e as qualidades ecléticas de seu refrão fazem muito para enfatizar sua importância.

De certa forma, é uma abordagem semelhante à da música poderosa dos anos 80 de Kristoff, “Lost in the Woods”, usando temas bem estabelecidos para colocar o significado nas maquinações da trama.

Mas, no caso da Voz, Frozen 2 pesquisou especialmente em livros de história para encontrar importantes precedentes musicais.

No Brasil, Frozen 2, da Disney, está disponível no Amazon Prime Video.