Recentemente, fãs de documentários da Netflix foram pegos de surpresa por uma trágica notícia: Daisy Coleman, tema do documentário Audrie e Daisy, tirou a própria vida aos 23 anos.

Coleman trabalhava como atriz e modelo, e em 2016 foi entrevistada em Audrie e Daisy, filme documental que contou a triste e revoltante história do estupro sofrido pelas duas garotas entre 2011 e 2012.

O documentário foi celebrado pela crítica especializada por mostrar como vitimas de violência sexual sofrem com as desconfianças da polícia e de suas comunidades, além de como a cultura do estupro incentiva o silêncio e a complacência.


Veja abaixo as informações mais importantes sobre a história do trauma e o trágico suicídio de Daisy Coleman.

História revoltante

Daisy Coleman tinha 14 anos quando foi estuprada por Matthew Barnett, em 8 de janeiro de 2012.

A adolescente participou de uma festa realizada na casa de um popular jogador de futebol de sua escola, e algum tempo depois se desencontrou com a amiga Paige, que havia a acompanhado no evento.

Foi nesse momento que Daisy foi dopada ao beber um drink “batizado”. Sem poder reagir, ela foi estuprada e depois jogada para fora da casa, usando apenas uma camiseta em temperaturas congelantes.

Barnett, o estuprador, foi processado por abuso sexual, mas conseguiu fazer com que as acusações fossem arquivadas. 

O fato do acusado conseguir se livrar facilmente no processo não foi uma surpresa: Barnett é neto de um influente deputado americano.

O criminoso depois admitiu culpa em uma acusação menos grave — colocar uma criança em perigo — e insistiu que o estupro havia sido uma transa consensual, já que a idade de consentimento legal no estado do Missouri é de 14 anos.

Barnett foi condenado a apenas dois anos de liberdade condicional. Daisy, por outro lado, sofreu com cyberbullying e reações hostis de sua comunidade.

O abuso e as ameaças sofridas por Daisy fizeram sua família mudar de cidade, de Maryville para Albany.

“Ela nunca se recuperou”

Daisy lutou para lidar com o trauma e seguir a vida, estudando na faculdade Missouri Valley.  Em 2017, a sobrevivente se tornou uma das fundadoras da organização SafeBAE, que tem o objetivo de auxiliar vitimas de abuso sexual em escolas.

“Eu era muito jovem quando tudo isso aconteceu. Não lidei bem, tive sentimentos muito negativos e autodestrutivos. Perdi minha confiança e não sabia mais quem eu era… Agora estou em uma jornada para me redefinir e me reconhecer novamente”, afirmou Daisy em 2017.

Daisy se matou em 4 de agosto de 2020. Ela já havia tentado o suicídio em múltiplas ocasiões.

“Ela era minha minha melhor amiga, e uma filha incrível. Acho que ela acreditou que eu conseguiria viver com sua ausência… Não consigo. Gostaria de poder tirar toda essa dor. Ela nunca se recuperou do que aqueles garotos fizeram, e isso não é justo. Minha bebêzinha se foi”, afirmou Melinda, a mãe de Daisy.

Audrie Pott, a outra protagonista de Audrie e Daisy também está morta. Ela se matou em 12 de setembro de 2012, aos 15 anos, após fotos de seu estupro serem divulgadas em redes sociais por três garotos de sua escola.

A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 – é um serviço de utilidade pública gratuito e confidencial (preserva o anonimato), oferecido desde 2005. O Ligue 180 tem como objetivo receber denúncias de violência, abuso e outros crimes cometidos contra mulheres. A Central funciona 24 horas, todos os dias.

Abuso, assédio sexual e a divulgação sem autorização de fotos íntimas são crimes. Denuncie!