Cinebiografias de musicistas estão em moda em Hollywood. Depois do sucesso de Bohemian Rhapsody, que garantiu o Oscar de Rami Malek, por ter vivido Freddie Mercury, já vimos Rocketman, sobre Elton John e outras obras do gênero estão a caminho. Mas há uma verdade que todas elas compartilham, mesmo que parcialmente.

Bohemian Rhapsody contou com participação dos membros ainda vivos do Queen, Elton John foi consultor em Rocketman, Madonna deve seguir o mesmo caminho na sua vindoura cinebiografia. Isso afeta diretamente o que vemos no produto final.

Não por acaso, o que vemos em Bohemian Rhapsody é um retrato quase que idealizado dos membros do Queen – à exceção do próprio Mercury, que parece ser o único da banda que cometeu erros.


Ele também não está vivo para se defender, ou dizer o que quer e o que não quer ver na obra.

Essa participação dos sujeitos das cinebiografias na produção afeta negativamente o filme, invariavelmente.

Mesmo que a intenção não seja transformar tudo em um grande comercial de margarina, inevitavelmente as pessoas vão querer colocar seus pontos de vista nos longas, o que acaba suplantando a necessária visão externa na elaboração desses filmes.

Relatos artificiais

Essa idealização gera relatos fictícios, mais dependentes da memória pessoal (que é falha) do que efetivamente dos fatos.

Afinal, ninguém vai querer se pintar de forma consideravelmente negativa e justamente por essa razão, as pessoas retratadas nesses filmes não deveriam sequer chegar perto da produção. Elas podem ser consultadas externamente, claro, com alguém apurando os fatos a fim de produzir algo mais próximo da realidade.

No fim, o que ganhamos chegam perto de serem propagandas desses astros e não relatos verossímeis de suas vidas. Trata-se de um enaltecimento, que toma o lugar de um retrato da realidade.

Não por acaso, muitas dessas obras – incluindo Bohemian Rhapsody – soam extremamente artificiais, apesar de todo o esforço de seus atores.

Bohemian Rhapsody está disponível em DVD, Blu-ray e mídias digitais.