Bacurau foi um grande destaque no cinema brasileiro dos últimos anos.

Estreou em agosto de 2019, fazendo muito sucesso e dando o que falar. Não foi só o motivo de debate no Brasil, mas também em diversos outros países.

Isto porque, antes mesmo do lançamento nos cinemas, Bacurau já tinha sido aclamado no Festival de Cannes de 2019.


Na trama, os moradores de Bacurau, um pequeno povoado do sertão brasileiro, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, eles percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade.

Quando carros são baleados e cadáveres começam a aparecer, Teresa, Domingas, Acácio, Plínio, Lunga e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados.

O grupo precisa então identificar o inimigo. Depois, criar coletivamente um meio de defesa.

Sucesso do cinema nacional

Em entrevista para o Collider em agosto de 2019, os diretores de Bacurau, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, discutiram sobre a mensagem que o longa-metragem pode passar.

Dornelles estabeleceu uma comparação entre os elementos alegóricos de Bacurau e o atual momento político do Brasil, mas não tratou esta última questão como novidade. Ele contou:

“Estamos vivendo no Brasil esse momento particular da política de que todos falam.”

“Mas a história do filme é uma história que se repete continuamente. Na verdade, não é nada realmente novo.”

Mendonça Filho acrescentou: “Isso acontece em muitas culturas onde a história continua se repetindo da pior maneira possível.”

“No Brasil o sistema está completamente quebrado pela própria história e agora, com a nova situação política, é estranho porque parece que estamos vivendo uma distopia. Mas na verdade eles estão remixando os piores aspectos dos últimos 50 anos.”

“Eles têm saudades dos anos 60, quando tivemos uma ditadura.”

Dornelles reforçou: “Os homens brancos comandam tudo e os homossexuais estão escondidos nas sombras. A sociedade está torturada e muito zangada com essa situação e espero que Bacurau ajude essas pessoas a reagir e fazer algo.”

“O governo está perdendo popularidade a cada dia.”

Questionado então se Bacurau seria um “troféu da rebelião”, Mendonça Filho disse: “Sim, sob o pretexto de gênero, o que acho que funciona. Mas também acho que ao longo da história houve reações à vida e a ataques e invasões e algumas delas tiveram sucesso, mas a maioria não.”

“Sempre penso no Gueto de Varsóvia; eles foram esmagados, mas tentaram fazer algo.”

“No nosso filme, um faroeste de fantasia política, eles têm que usar a violência para ter acesso a armas guardadas em um museu e acho que funciona poeticamente.”