A história dos guerreiros espartanos que lutaram contra o exército persa ganhou ainda mais fama graças ao filme 300, mas esse momento histórico já foi retratado anteriormente, em 1962.

Apesar de estarmos falando de uma batalha que efetivamente aconteceu (embora não como no filme, claro), 300 foi baseado nos quadrinhos de mesmo nome de Frank Miller. Ele, por sua vez, tornou-se fascinado pela Batalha das Termópilas após assistir o filme Os 300 de Esparta, estrelado por Richard Egan.

O filme foi gravado na vila de Perachora, no Peloponeso. O diretor Rudolph Maté queria gravar nas Termópilas, mas isso não foi possível em razão da forma como a geografia do local mudou nos últimos 2500 anos.


Conforme o próprio Miller, em diversas entrevistas (via Gregory Pappas, do Pappas Post), a interpretação de Richard Egan do Rei Leônidas mudou sua percepção do papel do herói, fazendo com que o quadrinista percebesse que os heróis nem sempre saem vitoriosos. Muitas vezes eles precisam se sacrificar pelo bem maior.

O filme de 1962 sobre os 300 de esparta contou com a cooperação do governo grego. Mais de 1000 figurantes, todos do exército grego, interpretaram os soldados espartanos e persas.

300 e sua “continuação”, 300: A Ascensão do Império, estão disponíveis na Netflix.

Outra série sobre antiguidade

Para quem gosta de antiguidade clássica, a Netflix tem outra série que pode agradar, mas ela tem um problema.

Bárbaros provou ser um dos maiores sucessos da Netflix em 2020, mas sua mensagem prova ser um tanto perturbadora e anacrônica, ao representar o Império Romano como os grandes vilões.

Evidente que não há lado certo ou errado se levarmos a História em consideração. Os romanos expandiam seu território assimilando diversos povos ao Império, subjugando aqueles que resistiam. Enquanto os considerados “bárbaros” ora viviam em assentamentos menores, com muitos pilhando outras localidades.

Não há como dizer que um está certo e outro errado visto que estamos falando de sociedades estritamente diferentes, mas é inegável que Bárbaros vilaniza Roma e atribui aspectos que veríamos nos terríveis governos fascistas séculos mais tarde.

A mensagem toda da série é um tanto perturbadora ao estabelecer que o dito “civilizado” é ruim, contrapondo isso ao modo de vida dos ditos bárbaros. Em outras palavras, todas as conquistas tecnológicas romanas (esgoto, aquedutos, estradas, e muitas outras) são desconsideradas a favor de um modo de vida mais “natural”.

Não digo que a vida urbana é a mais adequada, mas tampouco deve ser colocada como a errada nessa história. O ódio de um personagem por Roma não pode definir a imagem dessa civilização como um todo. São pontos de vista diferentes, não há certo e errado.

A primeira temporada de Bárbaros está disponível na Netflix.