David Fincher tentou fazer o seu mais novo filme, Mank, lançado na Netflix, desde os anos 1990. Em certo momento, o projeto seria estrelado por Jodie Foster e Kevin Spacey, acusado de abuso sexual.

O roteiro de Mank foi escrito pelo pai de Fincher, Jack, que faleceu em 2003. Depois de muito tentar realizar o projeto, o diretor conquistou o interesse da PolyGram Filmed Entertainment.

O acordo, contudo, caiu por terra, visto que a produtora queria que David Fincher filmasse o filme em cores e depois convertesse para preto e branco. O diretor queria filmar em preto e branco desde o início.


Nessa etapa do projeto, Kevin Spacey e Jodie Foster estavam atrelados a Mank. Spacey viveria o protagonista, Herman J. Mankiewicz, e Foster Marion Davies. Os papéis acabaram indo para Gary Oldman e Amanda Seyfried, respectivamente.

Vale lembrar que, nessa época, nenhuma acusação tinha sido feita contra Kevin Spacey e ele já havia trabalhado com David Fincher em Se7en – Os Sete Crimes Capitais. Posteriormente eles ainda trabalharam juntos em House of Cards.

Desde que as acusações contra o ator foram feitas, contudo, ele caiu no ostracismo em Hollywood.

Mank é baseado em fatos

Mank é baseado é uma história real. Esse é o segundo filme biográfico de David Fincher, após A Rede Social, lançado em 2010.

O roteiro do longa foi escrito por Jack Fincher, o pai falecido do cineasta. Originalmente, o filme seria produzido nos anos 90, mas os planos não se concretizaram.

O filme acompanha a rotina de Herman J. Mankiewicz na época da produção de sua obra mais importante: o roteiro de Cidadão Kane, lendário filme lançado em 1941.

Nos anos 20 e 30, Mank era um dos roteiristas mais famosos de Hollywood. Quando a indústria começou a transição dos filmes mudos para o cinema falado, o escritor se estabeleceu como um dos mais procurados pelos estúdios, graças a obras repletas de sátira e marcadas por personagens complexos.

No auge de sua carreira, Mank conheceu Charles Lederer, parte de um seleto grupo de cineastas e astros da indústria. Por intermédio do produtor, o roteirista também criou relações próximas com Marion Davies e William Randolph Hearst – o “chefão” da mídia da época.

Nos jantares e festas suntuosas de Hollywood – frequentadas por lendas como Charlie Chaplin, Bette Davis, Greta Garbo, Clark Gable e Louis B. Mayer – Mank ficou amigo de Orson Welles, que na época ainda tinha 20 e poucos anos de idade.

Os dois rapidamente começaram a criar a história de Cidadão Kane, caracterizando o protagonista com inspirações em Hearst.

Como o filme da Netflix mostra, o período entre a conclusão do roteiro de Cidadão Kane e a estreia do filme foi marcado por conflitos entre Welles e Mank.

Mesmo concordando em não receber créditos pelo filme, Mank insistiu que seu nome fosse atrelado ao projeto. Welles eventualmente atendeu à solicitação e creditou o roteirista pela trama do longa.

Após a estreia, Cidadão Kane foi indicado a nove categorias do Oscar, vencendo como “Melhor Roteiro”. A experiência azedou o relacionamento de Mank e Welles, e os dois nunca colaboraram novamente.

Mank está disponível na Netflix.