7 Prisioneiros: Filme da Netflix coloca luz em realidade cruel

Estrelado por Christian Malheiros e Rodrigo Santoro, longa já é elogiado pela crítica antes de estreia

Publicado em 07/10/2021 08:15
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O novo filme nacional da Netflix, 7 Prisioneiros, destaca a cruel realidade do trabalho análogo à escravidão, um problema que muitas vezes passa despercebido pela sociedade no cotidiano. A trama surgiu a partir do interesse do diretor Alexandre Moratto pelo tema, o que o levou a escrever o roteiro com Thayná Mantesso.

“Eu ficaria eternamente feliz se esse filme começar um diálogo, uma discussão mais ampla sobre a situação de trabalho análogo à escravidão e tráfico humano”, diz o diretor sobre a expectativa para o lançamento após a pré-estreia virtual, que o Observatório do Cinema teve a oportunidade de acompanhar.

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“Eu, quando fiquei sabendo como isso acontece no Brasil e no mundo inteiro – e afeta 40 milhões de pessoas no mundo, eu não sabia disso. Todo mundo sabe que existe o tráfico humano, mas não tinha caído essa ficha (de como acontece), não tinha consciência disso. Espero que o filme traga essa consciência”, completa Moratto.

Para dar destaque ao tema, 7 Prisioneiros conta a história de Mateus. O jovem deixa o interior para trabalhar em um ferro velho em São Paulo, comandado por Luca.

Quando começa no novo emprego, o protagonista e os outros personagens que estão com ele descobrem que estão em um sistema de trabalho análogo à escravidão.

“Embaixo de tudo que o Alex falou, acho que é começar a enxergar isso, pensar nas nossas escolhas de consumo, pensar no que a gente como sociedade está perdendo com isso. Acho que enquanto a gente não enxergar o quanto perdemos, que tem gente passando fome, que está nessas condições de trabalho, enquanto a gente não pensar nisso, fica difícil fazer esse diálogo. E precisamos pensar como sociedade nessas coisas”, reforça a roteirista Thayná Mantesso.

Assim como Moratto e Thayná repetem a parceria de Sócrates (2018), o diretor volta a trabalhar com Christian Malheiros, também do elogiado longa de estreia do trio. O ator também é conhecido pela série Sintonia, da própria Netflix.

Já o papel de Luca é de Rodrigo Santoro (300, Lost, Westworld), que define o trabalho no filme como “um dos personagens mais difíceis que já interpretei”. A produção é de Ramin Bahrani (O Tigre Branco) e Fernando Meirelles (Cidade de Deus).

Tema chamou atenção em noite sem sono do diretor

Fernando Meirelles conheceu Alexandre Moratto pelo trabalho em Sócrates, que foi reconhecido e premiado no Spirit Awards. O produtor se impressionou com o filme, ainda mais após descobrir que o orçamento foi de R$ 36 mil e com uma equipe praticamente inteira no primeiro trabalho no cinema.

“Conheci (Sócrates) pronto e achei extraordinário, ainda mais após descobrir como foi feito, sem nenhuma verba… tinham R$ 36 mil e fizeram um ‘filmaço’, com essencialidade e uma esperteza. Pô, esse cara (Moratto) é meio assustador. E aí, Sócrates ganhou prêmios internacionais… confirmou que o cara tinha um talento. Quando o Alex me contou do projeto seguinte, evidentemente me passou, ‘Tem uma vaga para produção aí?’”, sorri Meirelles, com Moratto relembrando que foi ele quem procurou o produtor.

O tema de trabalho análogo à escravidão surgiu de uma noite sem sono de Moratto. Trabalhando em Sócrates, e sem conseguir dormir, o cineasta assistiu a um especial sobre o problema na TV.

O interesse levou a uma intensa pesquisa de Moratto, que até mesmo conversou com vítimas dessa cruel realidade, a partir de uma amiga jornalista que fazia uma pesquisa com a ONU.

“Estava acordado tarde, sem conseguir dormir, e apareceu essa matéria. Tinha filmagens de pessoas em São Paulo que estavam até acorrentadas aqui (apontando para o tornozelo). Isso me chocou muito. Como que ainda existe nesse século a situação de pessoas ficarem escravizadas e isso não saía da minha cabeça”, explica o diretor de 7 Prisioneiros.

A decisão sobre seguir com o projeto veio após as conversas mencionadas acima. “Eu tenho que fazer esse filme, não posso mais ficar quieto sobre o que está acontecendo”, destaca Moratto.

Transformações de Rodrigo Santoro e Christian Malheiros

Quem assistir o filme na Netflix deve se surpreender com as atuações de Rodrigo Santoro e Christian Malheiros. O relato é de entrega total da dupla e de transformações para os papéis de Luca e Mateus.

“Ele (Rodrigo Santoro) deu 150%… Eu lembro da primeira vez que sentei com ele, ficamos numa sala três horas conversando. Ele pensou em todos detalhes. Foi uma construção em parceria. E acho que também uma colaboração com o Christian (Malheiros), porque era eu, Rodrigo e o Christian sempre juntos”, observa o diretor.

Enquanto isso, Fernando Meirelles nota que Rodrigo Santoro queria “desconstruir essa coisa do cara bonito, fortão”.

“A postura dele no filme, maquiagem, o cabelo, ele queria ficar o pior possível. E aí a postura, ele trabalhou andar de um jeito diferente, tudo meio para desconstruir o Rodrigo Santoro que a gente conhece”, relata o produtor do filme da Netflix.

“Ele se transformou total. Mas, o Christian também mudou muito para o papel”, reforça o cineasta de 7 Prisioneiros, que revela que Malheiros passou uma semana no interior para se preparar para o papel.

O importante tema e as atuações também levam 7 Prisioneiros a sonhar com voos maiores. O filme brasileiro da Netflix está sendo aclamado pela crítica internacional, tendo conquistado dois prêmios no Festival de Veneza.

Alguns veículos do exterior chegam a colocar o longa em listas de apostas para os Melhores Filmes Estrangeiros do Oscar 2022. Meirelles está otimista após essa primeira recepção.

“Como produtor, por gostar muito do trabalho, do processo, eu adoraria ver esse filme fazer uma viagem maior”, pontua Meirelles, que se define “tocado” com a história.

O elenco de 7 Prisioneiros tem ainda Lucas Oranmian, Vitor Julian, Bruno Rocha, Dirce Thomaz, Josias Duarte e Cecília Homem de Mello.

7 Prisioneiros chega em 11 de novembro na Netflix e em cinemas selecionados. Abaixo está o trailer do filme nacional.

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