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Cyberpunk

Crítica – New Gods: Nezha Reborn

Animação chinesa da Netflix traz tudo o que se espera para os aficionados em games e cultura oriental

Publicado por Aléxis Perri

13/04/2021 23:12

Está disponível no serviço de streaming Netflix, a mais nova animação de aventura New Gods: Nezha Reborn. E, põe aventura nisso!

Nesta animação de produção chinesa, acompanhamos a rotina de Li Yunxiang, um jovem que faz serviços de entregador, e que possui um enorme senso de Robin Hood em Donghai, sua cidade natal. Porém, tudo muda quando se depara com Ao Bing, o cruel Príncipe Dragão do clã De. Após um entrevero, Li Yunxiang desperta sua raiva, e descobre um poder selado, que se manifesta através das chamas de Nezha.

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Detalhes do filme

Apenas pela sinopse, já é possível perceber em que terreno pisaremos pelos próximos 110 minutos. New Gods: Nezha Reborn, no traduzido Novos Deuses: Renascimento de Nezha, é filme do tipo videogame, se for o caso de resumir superficialmente o que é a nova produção original da Netflix. Contudo, felizmente, e principalmente para os aficionados em games e animes, a animação dirigida por Zhao Ji entrega um pacote completo, do tipo de transbordar o copo de tantos elementos misturados que existem nessa narrativa.

Um exercício: tente imaginar todos os animes, ou mesmo desenhos de cultura ocidental, que envolvem uma batalha entre o bem e o mal que já assistiu durante a vida. Imaginou? Então, agora junte todos num só. É esta a impressão que fica ao término de New Gods: Nezha Reborn. Um conglomerado kitsch que efervesce muita ação e sentimentalidade.

Visualmente, essa história buscou influências nos subgêneros de ficção científica conhecidos como steampunk e cyberpunk. Observando a cidade fictícia de Donghai, percebemos um mix da Manhattan (distrito mais popular de Nova York) do começo do século passado com Xangai, a cidade das luzes chinesa. Só que no estilo retro futurista distópico. Em resumo: lembra o longa Alita: Anjo de Combate (2019) de Robert Rodriguez, com um aspecto mais ainda de game.

A ação é frenética, como se imagina. Tanto as cenas de perseguição de motos e carros, como as lutas que envolvem socos, chutes, armas e poderes místicos são eletrizantes! Certamente, os amantes de animes irão encontrar tudo o que mais almejam nessa produção Netflix.

Em alguns momentos, lembra Mad Max: Estrada da Fúria (2015) de George Miller, junto de uma boa porção do cinema praticado pelos cineastas Guy Ritchie (franquia Sherlock Holmes; Rei Arthur: A Lenda da Espada) e Zack Snyder (Batman vs. Superman: A Origem da Justiça; Liga da Justiça).

Todavia, esse ritmo alucinante, por vezes torna os elementos narrativos de conteúdo cultural da história, um tanto quanto embaralhados. Na realidade, é possível compreender o que está sendo dito pelas personagens, ainda assim, é certo que uma modulação da frequência ajudaria tornar todo o fio narrativo mais equilibrado e apreciável.

É até viável praticar um exercício mental de imaginação, de como seria ainda mais bem aproveitado o material no formato de série, ao invés de filme.

Conclusão

No quesito cultural, New Gods: Nezha Reborn se inspira em um dos maiores romances da Dinastia Ming, Investidura dos Deuses (no original, Fengshen Yanyi), escrito por Xu Zhonglin e Lu Xixing. Na cultura pop, a mitologia oriental sempre foi um tema recorrente. A lista de animes que se aproveitam disso é extensa, como Samurai Warriors, A Viagem de Chihiro, Naruto, e tantos outros mais.

Emocionalmente, é fácil se envolver com a narrativa deste longa-metragem animado, dado que o protagonista Li Yunxiang faz um tipo comum, bem humano em suas emoções e fragilidades. O típico herói que nasceu com a marca de ser O Escolhido, mas que apresenta dificuldades de se adaptar à nova função, especialmente pelas inseguranças que esconde. Conhecem, não é? O tipão rebelde charmoso, que na verdade possui um coração de bom samaritano.

No rolar dos créditos, New Gods: Nezha Reborn da Netflix não traz algo de novo, definitivamente. Ainda assim, é proveitoso e bem agradável. E, deixa uma lição valiosa de persistência, e não aceitar o seu destino facilmente. Resumindo: se quiser algo, corre atrás!

Observação: existem cenas pós-créditos no filme, três ao todo. Em uma delas, ficará um gostinho bem leve do que nos aguarda. As aventuras de Li Yunxiang prometem ficar mais quentes, aparentemente.

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