Volta de Cristo, trama política e vampiros alienígenas: confira as novelas brasileiras que tiveram sua produção canceladas

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A Globo é conhecida pela organização e antecedência com que planeja as novelas que vai levar ao ar. Estima-se que cada projeto comece a ser desenvolvido pelo menos dois anos antes de estrear em cada uma das faixas de dramaturgia do canal – que, ocupadas atualmente por Tempo de Amar (18h), Pega Pega (19h) e O Outro Lado do Paraíso (21h), possuem, possuem uma fila com ao menos outros quatro títulos programados para o futuro.

Isso não impede, porém, que imprevistos surjam eventualmente e acabem furando o cronograma tão “perfeitinho” e ajustado da “vênus platinada”. Foi o que se deu recentemente com O Sétimo Guardião, novela planejada por Aguinaldo Silva para o horário nobre da casa.

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Com a sinopse aprovada, roteiros em desenvolvimento e o elenco praticamente fechado, Silva foi pego de surpresa por uma acusação de plágio movida por ex-alunos de um curso de roteiro ministrado por ele no Rio de Janeiro, reivindicando parte da autoria da obra.

Temendo ter problemas judicias com a novela já no ar, a Globo decidiu adiantar a nova trama de João Emanuel Carneiro (De Volta Para Casa) e deixar O Sétimo Guardião para a sequência, na esperança de que Aguinaldo conseguisse chegar a um acordo com os demandantes em algum tempo.

Como isso não aconteceu, a história foi arquivada indefinidamente, e Aguinaldo teve que desenvolver às pressas uma nova sinopse – batizada em caráter provisório de Enquanto o Lobo Não Vem – para tapar esse buraco.

Assim como O Sétimo Guardião, diversas outras novelas acabaram, por um motivo ou por outro, saindo da “linha de produção” para ir parar na gaveta da emissora carioca – e também de outros canais, como Record, SBT e até a Band. Conheça os casos mais marcantes.

O Homem Errado

Após diversos trabalhos de sucesso na faixa das seis da tarde, como Cama de Gato e Cordel Encantado, a Globo decidiu que era hora de promover as autoras Duca Rachid (à esquerda) e Thelma Guedes (à direita) ao horário nobre.

Elas criaram então o argumento de O Homem Errado, trama ao estilo de suspense que iria substituir A Força do Querer na emissora, contando com Cauã Reymond e Sérgio Guizé como o mocinho e o vilão, respectivamente.

As autoras já haviam finalizado o roteiro do primeiro bloco de capítulos quando, em setembro de 2016, foram avisado por Silvio de Abreu – chefe do departamento de dramaturgia da Globo – de que a novela não seria mais produzida. Em nota oficial, a emissora alegou simplesmente “motivos estratégicos e internos”.

A vaga acabou sendo assumida por Walcyr Carrasco, nascendo assim a trama que hoje conhecemos como O Outro Lado do Paraíso – onde, curiosamente, Sérgio Guizé também vive um vilão, Gael. Já Thelma e Duca foram “devolvidas” ao horário das 18h, para o qual preparam uma nova trama, Travessia, a estrear no fim de 2018.

Jogo da Memória

Sucesso com seu estilo refinadíssimo de escrever novelas – sua marca registrada em A Vida da Gente (2011) e Sete Vidas (2015) -, Lícia Manzo apresentou à Globo no ano passado o argumento de Jogo da Memória, seu mais ousado projeto até então.

Aprovada para a faixa das 23h, a trama transcorreria simultaneamente em três cronologias: nos anos 1940, na década de 1960 e na atualidade. José Luiz Villamarim assumiria a direção, e nomes como Adriana Esteves, Alexandre Nero, Murilo Benício, Andrea Beltrão (foto acima) e Drica Moraes estavam confirmados no elenco da obra, que estrearia em abril deste ano.

No entanto, Silvio de Abreu repensou o projeto e decidiu que ele ficaria melhor no formato de minissérie, postergando-o também para 2018. Em junho deste ano, porém, o todo-poderoso da dramaturgia global voltou novamente atrás e resolveu deixar o roteiro de Lícia “estocado” para produção em momento oportuno – ou seja, sem previsão de ser filmado.

A Dança da Vida

Maria Adelaide Amaral era a autora desta novela que, devido a seu enredo potencialmente polêmico, foi classificada de cara pelo Ministério da Justiça como não recomendada para menores de 12 anos. Detalhe: ela iria ao ar às 18h, substituindo A Padroeira, em 2002.

Fábio Assunção (foto acima) daria vida ao protagonista, o honesto Daniel. Herdeiro bastardo de um senador corrupto (Fúlvio Stefanini), ele usaria o dinheiro recebido do finado pai no financiamento de projetos sociais, para desespero de sua madrasta, uma vilã ambiciosa (Lília Cabral).

No entanto, a Globo ficou receosa de exibir uma trama tão “politizada” em pleno ano eleitoral. Além disso, a presença de uma prostituta e de um garoto viciado em drogas nos núcleos secundários também foram vistas como fatores de risco – à época, Glória Perez ainda não havia feito sucesso com o drama de Mel (Débora Falabella) em O Clone.

A Dança da Vida acabou tendo sua produção abortada de última hora. A saída encontrada pela Globo foi esticar A Padroeira e chamar Emanuel Jacobina para escrever Coração de Estudante- que, aliás, manteve Fábio Assunção como o protagonista – no lugar de Maria Adelaide.

Carrossel

Você deve estar pensando: “ué, mas a versão brasileira de Carrossel já não foi produzida pelo SBT em 2012”? De fato. Porém, alguns anos antes, mais precisamente em 2007, a emissora já havia arriscado uma primeira tentativa de recriar por aqui o clássico infantil mexicano (foto acima).

O projeto era tão sério que Silvio Santos encarregou Ronaldo Ciambroni, dramaturgo e humorista do A Praça é Nossa, de adaptar o dia-a-dia dos alunos da professora Helena (Gabriela Rivero) à realidade brasileira. O autor fez diversas modificações na história original, alterando, inclusive, os nomes de todos os personagens – a “querida mestra”, por exemplo, foi rebatizada de Clara.

Carrossel estrearia em março de 2008, substituindo Amigas e Rivais. No entanto, com a ruptura da parceria entre o SBT e a Televisa, a produção da novela ficou inviável, e o texto dos mais de 300 capítulos escritos por Ciambroni foram parar na gaveta. Somente alguns depois, Íris Abravanel revisitaria o projeto e escreveria, ela mesma, o roteiro do maior sucesso do canal da Anhanguera nos últimos quinze anos.

Alma Selvagem

Com o fracasso da comédia romântica Água na Boca em sua faixa noturna, a Band decidiu que era o momento de renovar sua teledramaturgia. A emissora encomendou pesquisas e concluiu que o público estava ávido por mais drama e ousadia na tela da casa.

Decidiu, então recorrer, a um texto estrangeiro para servir de base em seu próximo projeto: a trama colombiana Pasión de Gavilanes (foto acima). A ideia era investir pesado na sensualidade, dando destaques a sequências eróticas e locações rurais, num estilo similar ao da recordada novela Pantanal.

Os testes de elenco já estavam ocorrendo quando a Band repensou o alto custo de produção de Alma Selvagem, que acabou cancelada. Em seu lugar, a emissora optou por uma opção de orçamento bem mais enxuto: o seriado Escolinha do Barulho.

O Superpoder do Amor

Tiago Santiago (foto acima) chegou ao SBT em 2010, com um contrato que previa a criação de quatro novelas inéditas para a emissora. Produzidos e exibidos os dois primeiros títulos (Uma Rosa com Amor e Amor e Revolução), ele partiu para seu terceiro projeto: O Superpoder do Amor. (O autor realmente gosta desse substantivo em seus títulos, não?)

Centrado na batalha maniqueísta entre crianças com superpoderes do bem e vampiros alienígenas do mal (!), a trama seguia a mesma linha de realismo fantástico com que o novelista fizera sucesso na novela Os Mutantes, na Record.

Santiago finalizou o texto dos 200 capítulos de O Superpoder do Amor em 2013, mas, com o sucesso de Carrossel, o SBT decidiu continuar apostando na adaptação de novelas infanto-juvenis mexicanas e tem mantido desde então o folhetim na gaveta.

Dancin’ Days

A Globo já cogitou várias vezes produzir um remake da clássica novela de Gilberto Braga, veiculada com estrondoso sucesso em 1978 e reprisada pelo canal Viva em 2014. A mais famosa delas se deu em 1998, quando o próprio Braga recebeu sinal verde da emissora para dar nova roupagem à sua história.

Glória Pires e Malu Mader reviveriam as irmãs interpretadas por Joana Fomm e Sônia Braga na trama original, enquanto Leandra Leal daria vida à “filha” disputada por elas – e vivida pela própria Glória na obra dos anos 1970.

O projeto acabou não saindo do papel por conta de uma divergência entre Braga e a então diretora de programação da Globo, Marluce Dias da Silva, sobre o horário em que a trama iria ao ar – Gilberto fazia questão da novela no horário nobre, enquanto Marluce a queria às 18h.

Em 2012, um novo remake foi cogitado para a faixa das 23h, com número reduzido de capítulos, mas novamente engavetado. Curiosamente, neste mesmo ano uma adaptação de Dancin’ Days acabou vingando em Portugal, com grande sucesso, sob produção do canal SIC.

E Se Ele Voltar?

Em 2015, uma ligeira polêmica se instaurou em diversos meios com a notícia de que um projeto ousado estava em avaliação pela direção de dramaturgia da Globo.

Tratava-se de E Se Ele Voltar?, trama de Benedito Ruy Barbosa (O Rei do Gado, Velho Chico) cujo tema central seria a volta de Jesus Cristo à Terra, prometida na Bíblia Sagrada. Sob direção de Luiz Fernando Carvalho, a história teria apenas 40 personagens fixos, que viveriam às voltas com a expectativa do retorno do Filho de Deus para resgatar Seus fiéis.

E Se Ele Voltar? já tinha, inclusive, seis capítulos escritos, mas, por motivos não divulgados, acabou nunca entrando em produção pela Globo. A emissora, talvez, tenha temido suscitar o descontentamento de grupos religiosos com o pano-de-fundo da história – que, por sinal, é praticamente o mesmo usado pela Record em sua recém-estreada novela Apocalipse.

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