O ano acaba hoje, e com isso os maiores lançamentos já foram liberados nas salas brasileiras. Assim, o Observatório do Cinema fez uma revisão do calendário de 2017 para definir os 10 melhores e 10 piores filmes que estrearam por aqui nesse ano.

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Vale lembrar que grandes concorrentes ao Oscar 2018, como Me Chame Pelo Seu Nome e Lady Bird, ainda não vieram parar nos cinemas brasileiros.


Confira nossa lista:

PIORES – 10º | Até o Último Homem: As indicações ao Oscar desse filme de Mel Gibson só não foram inteiramente equivocadas porque Andrew Garfield está mesmo excepcional na pele do soldado pacifista que salva seus colegas em uma batalha sangrenta. Sangrenta é a palavra-chave, no entanto, já que Gibson não está interessado em mostrar o terror da guerra e sua tensão, mas sim em desfilar habilidade técnica em um banquete de entranhas que faria inveja aos filmes do Rambo, nos anos 1980.

PIORES – 9º | Power Rangers: É verdade que o filme live-action dos Power Rangers poderia, teoricamente, ser muito pior – o que não significa que ele seja bom. Com atores pouco carismáticos, os dramas adolescentes do roteiro funcionam ainda menos que a tentativa de trazer a história para um contexto mais “sério” e “sombrio”, como manda a cartilha do blockbuster sujo pós-Christopher Nolan.

PIORES – 8º | Quatro Vidas de Um Cachorro: Se não fosse tão previsível e sentimental, talvez Quatro Vidas de Um Cachorro funcionasse na dimensão de entretenimento que pretende alcançar. Sentimental no mau sentido, mesmo, já que o roteiro não faz por merecer esses sentimentos que quer evocar, mergulhando raso nas quatro histórias contadas e tentando tirar lágrimas fáceis que nunca chegam.

PIORES – 7º | A Torre Negra: O filme de Nikolaj Arcel “inspirado” pelos escritos de Stephen King não é um exemplo horroroso de cinema, mas parece muito pior do que é por causa do quanto dilui e desperdiça o potencial de sua história para criar um tipo de arrasa-quarteirão épico que ainda não vimos em Hollywood. Idris Elba é constantemente carismático, assim como um Matthew McConaughey cheio de trejeitos, mas não é o bastante para carregar um filme modorrento baseado em um material que é tudo, menos isso.

PIORES – 6º | O Assassino: O Primeiro Alvo: Todo mundo envolvido nessa adaptação dos livros de Vince Flynn merecia melhor, a começar pelo astro Dylan O’Brien, que faz o que pode com um personagem limitado e apelativo, mas emocionalmente envolvente. O mesmo vale para Michael Keaton e Taylor Kitsch, que tentam se divertir ao máximo com um roteiro que não os deixa (e nem o espectador) respirar.

PIORES – 5º | Monster Trucks: Os atrasos no lançamento anunciaram o fracasso financeiro de Monster Trucks, e normalmente significam também problemas sérios com a qualidade. Buscando um apelo raso no carisma de seu monstro, o filme de Chris Wedge (Robôs) não se esforça para surpreender, e o resultado é 1h44 de um filme muito mais enfadonho e entediante do que teria qualquer direito de ser, com a premissa que tem.

PIORES – 4º | O Espaço Entre Nós: O talentoso Asa Butterfield precisa fazer escolhas de carreira mais sábias se quiser ultrapassar o patamar de promessa – e O Espaço Entre Nós não é uma dessas escolhas sábias. A história do menino criado em Marte que tenta vir para a Terra a fim de encontrar a garota com quem se corresponde na internet é açucarada, mas sente fraca falta de um pouco de sal e, quem sabe, até pimenta.

Passageiros

PIORES – 3º | Passageiros: A ficção científica de Morten Tydlum (O Jogo da Imitação) joga fora dois intérpretes talentosos em pleno modo “astros de cinema”, além de um design de produção extraordinariamente sofisticado, para contar uma história de Bela Adormecida deturpada que se recusa a endereçar quaisquer das questões morais em seu cerne. Ao invés disso, Passageiros escolhe ser um blockbuster vazio que decepciona em todas as frontes.

PIORES – 2º | A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell: Com um roteiro confuso e, ao mesmo tempo, de solução “fácil demais”, a adaptação hollywoodiana de Ghost in the Shell troca as reflexões profundas sobre gênero e identidade do original por uma mensagem batida de “a humanidade vencendo acima de tudo”, e intercambia os traços retos e áridos do anime por um futuro polido, plástico e curvo que já vimos centenas de vezes no cinema.

PIORES – 1º | A Múmia: A Universal reportadamente entregou o controle criativo de A Múmia para seu astro, Tom Cruise, que aumentou o próprio papel e tomou as rédeas do estreante Alex Kurtzman, até então conhecido por escrever roteiros de Transformers e Star Trek. O resultado é um filme que quer desesperadamente ser mais um blockbuster medíocre, mas consegue ser muito, muito pior que isso – grotesco, brega e confuso, A Múmia é sem dúvida o pior que o cinema teve para oferecer em 2017.

MELHORES – 10º | Um Limite Entre Nós: O texto de August Wilson, seminal para a dramaturgia americana (e especialmente afro-americana), merecia há muito tempo uma adaptação para o cinema, e Denzel Washington seguiu o caminho da fidelidade absoluta em seu transporte para as telas. Ancorado por duas performances extraordinárias de Washington e Viola Davis, que conhecem o texto para lá de bem (ambos venceram o Tony por performá-lo no teatro), o filme é um soco no estômago emocional e verborrágico, dirigido com a discrição e precisão de quem conhece e respeita o espaço do teatro.

MELHORES – 9º | Mudbound: Em um contraste absoluto com o seu antecessor na lista, Mudbound carrega a direção energética e dinâmica de Dee Rees, que por vezes se vê sobrecarregada com o material amplo e articulado do livro de Hillary Jordan. Mesmo quando isso acontece, no entanto, há algo de a flor da pele na direção de Rees, assim como nas interpretações de Mary J. Blige, Jason Mitchell e Carey Mulligan, destaques absolutos do elenco, que faz o filme funcionar em um nível emocional muito instintivo.

MELHORES – 8º | Doentes de Amor: Poucas comédias se permitem tanta naturalidade e tanta complexidade quando Doentes de Amor, em que Kumail Nanjiani interpreta uma versão de si mesmo. Cercado por atores superiores a ele (Ray Romano, Holly Hunter, Zoe Kazan, Zenobia Schroff), Nanjiani ainda é a âncora emocional do filme, que o carrega por questões culturais e raciais elaboradas pelo roteiro excepcional que elaborou ao lado da esposa, Emily V. Gordon. São 2 horas que conseguem a proeza de serem leves e densas ao mesmo tempo.

MELHORES – 7º | Loving: Por toda a sutileza e maestria de Ruth Negga no papel de Mildred (e aquela indicação ao Oscar foi, sim, para lá de merecida), Loving triunfa mesmo porque tem Jeff Nichols por trás das câmeras. O cineasta cria um épico dramático amorosamente concebido e realizado, escondendo genialidades nos detalhes e nas menores escolhas que faz no percurso da história. É a confirmação e a expressão mais completa de um dos talentos mais extraordinários da nossa era.

MELHORES – 6º | Mulher-Maravilha: A inclusão do filme de Patty Jenkins tão alto nessa lista pode cair mal com algumas pessoas, mas não há nada que separe o trabalho dela aqui das outras escolhas mais convencionalmente “cults” da lista. Jenkins trabalha com seus atores com o mesmo esmero, modulando suas performances de forma inteligente, e encontra uma harmonia de fotografia, trilha sonora, edição, figurino e tudo o mais que está sob sua batuta como o grande maestro no comando de uma sinfonia. É lindo de se ver, como cinema – e não só como entretenimento.

MELHORES – 5º | Jackie: Pablo Larraín e Natalie Portman juntaram forças para criar um retrato sensível, forte e excêntrico da lendária primeira dama dos EUA, Jackie Kennedy, nas horas e dias após o assassinato do marido, John F. Kennedy. É um filme impressionista, cheio de cenas puramente emocionais, nas quais Portman mistura impetuosidade e calculismo com maestria. É também um retrato honesto da ilusão tecida por Jackie em torno de seu casamento, seu marido e sua família, e do apelo e do misticismo que essa ilusão tinha e tem sobre o público americano.

MELHORES – 4º | Mãe!: Em uma carta aberta ao diretor Darren Arnofsky, a artista de performance Marina Abaramovic disse que admirou Mãe! porque o cineasta “deu seu sangue” pela obra. Não é uma definição exagerada – conforme a narrativa de Mãe! entra em seu crescendo final, é óbvio para o espectador que Aronofsky deu luz àquilo em uma febre criativa daquelas de lendas que cercam grandes artistas através dos séculos. O resultado é um filme colossal e escandaloso, que não pede desculpas por ser nenhuma dessas coisas, e que ainda assim alcança todos os seus objetivos e suas mensagens.

MELHORES – 3º | Quem é JonBenet: Se você assistir apenas um lançamento original da Netflix de 2017, assista Quem é JonBenet. O documentário de Kitty Green reabre o caso da jovem rainha da beleza que chocou os EUA ao ser assassinada nos anos 1990, mas de uma forma curiosa – ela chama atores locais da cidade natal de JonBenet para reencenar o caso em uma suposta peça de teatro. O projeto é tão excêntrico quanto revelador – não sobre o caso, mas sobre a condição humana em suas formas mais cruéis e mais empáticas.

MELHORES – 2º | La La Land: Cantando Estações: O espetáculo armado por Damien Chazelle, que celebra a artificialidade do cinema e o que de real ela pode revelar, é tão tocante e encantador quanto todo mundo que o viu já te disse. O charme está tanto na direção precisa de Chazelle quanto na casualidade das performances, com atores que encontram seus personagens e os seus diálogos com a metalinguagem do filme facilmente. A cena de “Audition (Fols Who Dream)” é uma das mais belas do ano.

MELHORES – 1º | Moonlight: Sob a Luz do Luar: Só mesmo uma obra pontual e fundamental como Moonlight poderia desbancar La La Land do topo dessa lista. Com suprema sensibilidade, Barry Jenkins cria um filme carregado de significado em cada detalhe – e não é essa a própria essência do cinema, atribuir significado a cores, texturas, cortes, expressões, ambientes, tons musicais, tudo isso junto e muito mais? Com uma jornada emocional devastadoramente honesta, Moonlight faz isso como nenhum outro filme fez em 2017 – e como poucos, se algum, fez na última década.