Enquanto muitos ficaram felizes com a renovação de La Casa de Papel feita pela Netflix, outros ficaram com medo que a plataforma pudesse acabar estendendo a história deste grupo de ladrões além do ideal.

E embora muitos fãs provavelmente ficarão satisfeitos com as escolhas feitas para dar continuidade aos planos do Professor e sua gangue, outros irão sentir um desvio desconfortável da proposta original da série e de suas dinâmicas cativantes, típicas de histórias sobre golpes e roubos.

Confira os motivos pelos quais a Parte 3 de La Casa de Papel melhora a série:


Orçamento maior

Logo de cara, muitos irão perceber o aumento considerável no orçamento de La Casa de Papel, que já começa sua nova temporada com locações distintas e chamativas. Chega a ser revigorante acompanhar Tokio correndo em meio à selva, ou o fato da nova base operacional do professor ser remota, ao invés do galpão que caracterizava as duas primeiras partes. A abordagem visivelmente mais cara desta Parte 3 é algo que impede a série de se tornar visualmente desgastante.

Novos personagens

Com a morte de alguns integrantes do grupo durante a segunda parte, a nova leva de episódios de La Casa de Papel introduz personagens inéditos na gangue, além de restabelecer outros em novas posições para revigorar a dinâmica do grupo. Raquel e Mônica se tornam Lisboa e Estocolmo (eu ainda não consigo lidar com esse nome), enquanto também temos a entrada de Palermo como uma espécie de “novo Berlim”, além das relevantes participações de Marselha e Bogotá. A nova formação é eficiente, e consegue manter o espectador entretido sem entediá-lo.

Relacionamentos

Se vamos seguir a história depois do roubo à Casa da Moeda, é claro que não poderiam faltar as continuações dos relacionamentos entre os personagens. A nova parte de La Casa de Papel foca bastante nos casais Tokio/Rio, Professor/Raquel e Denver/Monica, entregando aquilo que o espectador gostaria de acompanhar.

A grande trama política

Felizmente, os roteiristas de La Casa de Papel decidiram dar continuidade à estas histórias se aproveitando da trama geral que rondava as primeiras partes de La Casa de Papel: os ideais revolucionários do Professor.

Logo no ínicio, é estabelecida uma atmosfera política que referencia as repercussões do grupo “Anonymous” (e por consequência, “V de Vingança”), além de tornarem os antagonistas policiais cada vez mais questionáveis, dando impulso aos argumentos do Professor. Pode não ser uma discussão muito aprofundada, mas com certeza serve para elevar o que foi construído nas duas primeiras partes.

Revelando o passado

Ironicamente, um dos personagens que mais teve destaque para sua construção acabou sendo Berlim, através dos flashbacks que mostram a sua elaboração do novo plano ao lado de Professor e Palermo. As sequências não só providenciam bom momentos para o aprofundamento dos três personagens, como também estabelecem algumas expansões interessantes para este universo que revigoram o contexto para esta nova temporada de La Casa de Papel, e que com certeza se mostrarão produtivas ao longo da próxima parte.

A Parte 3 de La Casa de Papel já está disponível na Netflix.