A Parte 3 de La Casa de Papel continua agradando os fãs da equipe de ladrões com máscaras de Dalí, e a Parte 4 já está confirmada pela Netflix para deixar os planos do Professor ainda mais impactantes. Mas como sempre é o caso em séries de televisão, às vezes a criatividade dos roteiristas pode se esgotar antes do tempo.

Então depois de prever o que deve acontecer na próxima temporada, além de falarmos sobre o que gostaríamos de ver acontecendo, chegou a hora de especular sobre o que NÃO queremos ver acontecendo de jeito nenhum em La Casa de Papel.

Muitas temporadas

É claro que, quando gostamos de uma série, queremos que ela continue contando suas histórias até onde puder. Mas como podemos perceber em VÁRIAS produções ao longo dos tempos, estender a trama além da conta pode tornar a série enfadonha, repetitiva, ou até mesmo estragar aquilo que já foi construído. La Casa de Papel segue um formato de história seriada que não possui o mesmo potencial para múltiplas temporadas como as típicas séries procedurais americanas, e tentar manter este universo em constante movimento por mais do que (talvez) cinco temporadas pode acabar banalizando muito do que foi visto até aqui.


Com a quarta temporada de La Casa de Papel elevando a escala da guerra política do Professor, a quinta temporada poderia ser para encerrar esta história em seu melhor momento, e proporcionar finais satisfatórios para seus personagens sem desgastá-los. E no final, sempre podemos pensar em derivados para retornar à este universo.

Arturo

O ex-refém Arturito foi uma tremenda dor de cabeça durante as duas primeiras partes de La Casa de Papel, e seu retorno na última temporada só serviu para tornar tudo ainda mais complicado. Os conflitos causados pelo personagem eram produtivos durante a trama da Casa da Moeda, mas já estão beirando uma irritação desnecessária.

Na Parte 4, é possível que o personagem traga ainda mais problemas para o grupo de ladrões, mas torço para que sua participação venha logo e seja pontual, ajudando a elevar a tensão da história, mas sem dar espaço para mais explorações sobre seu personagem e sua relação com Monica.

A morte de Nairobi

A Parte 3 terminou com o roubo ao Banco da Espanha indo por água abaixo. A polícia está pronta para invadir o local, o professor está tendo que lidar com a morte de Raquel, e para deixar tudo ainda pior, Nairobi está à beira da morte depois de ter sido baleada. A personagem é uma das mais queridas pelos fãs, e providencia um bom contraste de personalidade com outros integrantes do grupo.

Tal qual Tokio diz durante o começo de La Casa de Papel, há poucas mulheres nesse grupo, e embora a entrada de Raquel e Monica ter contribuído para a dinâmica da equipe, seria triste dar adeus à uma personagem que ainda possui um espaço interessante para evoluir, e que poderia ser uma peça fundamental para os discursos políticos do Professor ao longo de sua guerra.

Apenas mais um roubo

Um dos jeitos mais fáceis da Parte 4 de La Casa de Papel começar a demonstrar um desgaste cansativo em suas tramas, seria compor a próxima temporada com apenas mais um roubo, tal qual a Casa da Moeda e o Banco da Espanha. Precisariam introduzir mais um motivo para tal empreitada, repetindo o formato de flashbacks e exposições, além dos roteiristas terem que bolar estratégias ainda mais mirabolantes para surpreender os espectadores em um terreno já bem conhecido. Os riscos precisam aumentar, e as consequências precisam ser ainda mais impactantes. Creio que apenas mais um assalto, por maior que seja o dinheiro envolvido, não daria conta de elevar a narrativa da série.

Fan service exagerado

E do mesmo jeito que sempre queremos continuar vendo mais temporadas de La Casa de Papel, também ficamos felizes quando os roteiristas entregam alguns desenvolvimentos que são claramente feitos para agradar a base de fãs. O exagero deste elemento, no entanto, costuma ser alvo de críticas em diversas produções que trocam a criatividade pelo agrado explícito, contribuindo muito pouco para a memorabilidade desta narrativa. Tokio talvez seja a principal candidata para receber alguns desses agrados equivocadamente, o que poderia tornar a personagem bem menos interessante.

Minha esperança é que os roteiristas decidam tornar o debate político da série ainda mais complexo, e possam forçar o espectador a refletir sobre os ideais do Professor, mas se a próxima temporada continuar distinguindo seus lados morais de forma extrema, vários fãs poderão ficar felizes com o rumo da série seguindo suas expectativas. Sua história, no entanto, acabaria desperdiçando a oportunidade de ser mais relevante.