Vikings é talvez a série histórica mais popular da atualidade, trazendo para o mundo da TV a história das vidas dos guerreiros nórdicos que aterrorizaram o mundo cristão na Idade Média.

Mesmo que a série tente manter a fidelidade histórica em relação à vida dos Vikings, certos aspectos dos guerreiros foram modificados por razões narrativas e práticas.

Confira abaixo algumas incongruências históricas de Vikings!


Ragnar e Rollo

Enquanto Ragnar Lothbrok é uma figura nórdica que mistura lenda e realidade em sua história, mítico mas ao mesmo tempo baseado em um guerreiro real, Rollo foi de fato uma figura histórica, tendo nascido na Escandinávia aproximadamente no ano de 845. Também é verdade que o Viking participou de ataques ao reino da Francia e acabou se tornando o primeiro Duque da Normandia. No entanto, ele não era irmão de Ragnar, e provavelmente nunca conheceu o guerreiro (se é que ele realmente existiu).

São Cuthbert

Na primeira temporada de Vikings, os guerreiros nórdicos saqueiam o mosteiro de Lindisfarne, na costa do reino de Northumbria. Durante o ataque, Rollo mata um monge idoso chamado Cuthberth, que era o mentor de Athelstan. Cuthberth foi uma pessoa real, e chegou a ser canonizado pela igreja católica depois de sua morte. Diferentemente de sua contraparte de Vikings, no entanto, o Santo Cuthbert morreu de causas naturais cerca de 100 anos antes dos eventos da série.

A descoberta

Um dos erros mais gritantes de Vikings é o fato da série sugerir que Ragnar foi o primeiro Viking a “descobrir” a Inglaterra. Na vida real, uma rota de comércio entre os nórdicos e os outros europeus (incluindo os ingleses) já existia desde antes do início da era Viking. Inclusive, alguns historiadores teorizam que a era Viking só começou porque os mercadores nórdicos se sentiam discriminados pelos cristãos europeus.

Figurino

O figurino da série Vikings é impressionante, e combina perfeitamente com o estilo dos personagens. No entanto, esse visual não é nem um pouco historicamente correto. Os Vikings não usavam roupas de couro com adereços de metal. Qualquer tecido de couro não era usado justo, mas aparecia na maioria das vezes em roupas mais largas, mais práticas e bem menos sexy. Além disso, falta cor nos figurinos de Vikings. Ao contrário da crença popular, os Vikings não usavam apenas cores escuras. Pelo contrário, a maioria dos registros históricos afirmam que tantos os homens quanto as mulheres nórdicas usavam roupas de todas as cores, destacando-se vermelhas, amarelas, verdes e roxas.

Athelstan

Athelstan não existiu na vida real. De acordo com a Enciclopédia da História Antiga, não existe nenhum registro que um monge viveu entre os Vikings na era histórica de Ragnar Lothbrok. Ele também não é o verdadeiro pai do rei Alfred, o Grande. Na vida real, o monarca era realmente filho de Aethelwulf. Outra parte da história do monge é completamente equivocada em termos históricos. No decorrer da saga, Athelstan é crucificado por cristãos como punição. Segundo historiadores, a crucificação parou de ser usada como punição ou método de execução e meados de século IV. Além disso, desde a época da criação da igreja católica, cristãos enxergavam a crucificação como algo sagrado, reservado apenas para Jesus.

Águia de Sangue

Fãs de Vikings se arrepiam com o termo Águia de Sangue. O insano método de execução foi mostrado 2 vezes na série, em cenas impactantes e extremamente violentas. Até pouco tempo, acreditava-se que a Águia de Sangue realmente era utilizada pelos Vikings antes do século VIII, porém, historiadores mais recentes concluíram que, se esse método de execução realmente existiu, era bem mais simples do que o descrito. A maioria dos relatos sobre a Águia de Sangue vieram diretamente das Sagas nórdicas, que descreviam eventos acontecidos há centenas de anos. Com o decorrer dos séculos, as descrições da prática se tornaram cada vez mais brutais e detalhadas, o que leva à conclusão de que os detalhes foram acrescentados posteriormente.

Vikings

Em certos momentos da séries, os guerreiros nórdicos referem-se como Vikings. Na vida real, o termo não era utilizado para definir o grupo étnico dos escandinavos, sendo mais usado em relação a guerreiros e aventureiros. A palavra nórdica “vikingr” era usada para descrever alguém que se aventura em expedições além-mar, e o termo “viking” era para a descrição da aventura em si.

Geografia

Se Ragnar Lothbrok existiu mesmo, ele viveu na Dinamarca ou Suécia. No entanto, a geografia de Vikings é claramente norueguesa, e a série toma outras liberdades em relação ao seu cenário. O Templo de Odin, em Uppsala, por exemplo, é mostrado na série no topo de uma montanha. De acordo com registros históricos, o local de adoração ficava em uma planície bem mais baixa. Além disso, a cidade de Kattegat é fictícia. Na época em que a série é ambientada, Kattegat era o nome de um estreito de conectada o Mar Báltico com o Mar do Norte.

Linha do tempo

Desde a primeira temporada, o tempo se comporta estranhamente em Vikings. A linha do tempo da série é bastante confusa, e certos personagens (Lagertha em específico), parecem não envelhecer. O saque de Lindisfarne, que acontece na primeira temporada, na vida real ocorreu em 793. Já o Cerco de Paris, na terceira temporada, acontece em 845, mais de meio século depois do primeiro ataque. O segundo saque de Paris acontece em meados de 885 ou 886, quase 100 anos depois do massacre em Lindisfarne. A maioria dos personagem já estaria morte e enterrada em tanto tempo.