O ano de 2019 foi marcado por mais uma grande virada no cenário televisivo. Com a “guerra de streamings” ganhando cada vez mais força, e a enorme quantidade de séries produzidas entre diferentes plataformas, o mercado de séries continua crescendo de forma surpreendente. Mas apesar de termos visto algumas produções que devem entrar para a história da televisão, também tivemos séries que nunca deveriam ter visto a luz do dia (que dirá uma segunda temporada). Então aqui vão nossas escolhas para as “Melhores e Piores Séries de 2019”:

Melhor: Watchmen

Uma escolha fácil, Watchmen conseguiu ressuscitar o material original de Alan Moore com toda a empolgação que se esperava da série, mas ao mesmo tempo, também se manteve relevante para qualquer espectador casual que decidisse dar uma chance ao universo do Minutemen. De um roteiro memorável vindo das mãos de Damon LIndelof, à tamanha qualidade da direção de cada episódio, Watchmen se consagrou como uma série indispensável em 2019, e um exemplo de como se expande um universo já conhecido do público, sem cair na redundância. 

Pior: Insatiable 

Insatiable já havia tomado um bom espaço nas discussões de 2018, por conta de algumas polêmica que, sinceramente, nem eram tão cabíveis assim, principalmente quando se assiste a primeira temporada e percebe-se o quanto a série é, simplesmente, apelativa e mal-escrita. Mas como polêmica é sinônimo de audiência, a série retornou para sua segunda temporada, e embora pudesse haver algum potencial em acompanhar os protagonistas de Insatiable em uma abordagem mais descompromissada, o crescimento da personagem principal é indiscutivelmente questionável, e a longa duração da série nunca se justifica, em meio à um humor equivocado e tramas desinteressantes.


Melhor: Barry

Bill Hader costumava ser conhecido por sua participação em Saturday Night Live, mas já podemos dizer, com certeza, que Barry deve ser um dos seus maiores legados na televisão, se não o maior. A série de comédia proporciona um papel perfeito para Hader demonstrar seu talento com um protagonista simpático, porém atormentado por seus dilemas morais. O roteiro de Barry traz emoção e reviravoltas de sobra para engajar qualquer espectador, mas é na direção dos episódios que percebemos o potencial de uma série como esta, e como a mídia televisiva é perfeitamente capaz de bater de frente com as principais comparações cinematográficas. 

Pior: Outra Vida

Há quem tenha assistido Outra Vida e ganhado a sua parcela de entretenimento suficiente para um sábado a tarde, o quê não é tão difícil assim de se imaginar. A série de ficção científica tem elementos fantásticos de sobra para atrair espectadores, mas é em sua construção e proposta que percebe-se o tamanho do potencial desperdiçado por aqui. Essencialmente, Outra Vida subestima o público acostumado ao gênero (apesar de se direcionar completamente à este nicho), e entrega um universo preguiçoso, personagens superficiais (com raras exceções), reviravoltas mal trabalhadas e um ritmo sofrível com sua estrutura episódica que não sabe se quer ser um procedural sci-fi dos anos 90, ou um épico espacial. 

Melhor: Undone

Eu quase troquei esta série por uma das minhas produções favoritas de 2019: Love, Death & Robots. Ambas são séries “animadas” (mais ou menos) que estraçalham qualquer ressalva que o espectador possa ter em relação aos seus estilos peculiares. Mas onde Undone realmente consegue se destacar, é na construção de uma narrativa que tem muito a dizer para o espectador, e consegue transpor seus argumentos de forma engajante, até mesmerizante, aproveitando o espaço de suas técnicas para entregar uma história que nunca poderia ter sido feita de outra forma. Das performances do elenco até a mais simples linha de diálogo, Undone é uma série que permanecerá distinta dentro da televisão por muitos anos.  

Pior: Eu Vi

Mais um caso de uma das piores séries de 2018 que retornou para sua segunda temporada, e não conseguiu redimir nenhum de seus óbvios e incômodos defeitos. Eu Vi é uma série que propõe reconstruir os relatos de pessoas que passaram por experiências sobrenaturais, e embora algumas de suas escolhas visuais cheguem a ser bem aproveitáveis, a tamanha sem-vergonhice do programa de realmente declarar que suas histórias são “reais” é motivo de sobra para dar risada, com os relatos possuindo encenações deploráveis que invalidam toda e qualquer tentativa de causar medo no espectador. O desconforto, por outro lado, é constante. 

Melhor: Areia Movediça

Essa é minha escolha mais pessoal, provavelmente, e considerando que a maioria das listas de “melhores do ano” não costuma olhar para fora dos EUA, também é bem provável que Areia Movediça não seja lembrada fora daqui. Mas conforme disse na época da crítica, esta foi uma série surpreendentemente bem escrita, atuada e dirigida. Quase impecável em sua atenção a composição de cada cena, a série tem elementos de sobra para estimular o espectador, apesar de sua história ser mais lenta do que o público poderia estar acostumado com comparações imediatas. E no que diz respeito ao roteiro, peço que dêem uma olhada na crítica da série aqui no site, pois fazia tempo que um dilema não me soava tão bem construído na televisão, quanto foi o caso com a protagonista. 

Pior: Gatunas

Nas palavras do crítico Alexis Perri, aqui do site: Gatunas é “oco, pobremente encenado e entediante”. A série adolescente tinha potencial de sobra para se tornar uma obsessão entre seu público alvo, mas com um roteiro desprovido de qualquer inventividade e uma direção completamente esquecível, a produção não traz qualquer elemento que a torne digna de memória, e rendeu uma das piores notas do site em 2019.

Melhor: Chernobyl

Talvez a escolha mais óbvia de qualquer lista de “Melhores do Ano” (e digo isso pois, infelizmente, não assisti Fleabag), Chernobyl foi a série que demonstrou, mais uma vez, por que a HBO continua sendo a referência de qualidade para narrativas televisivas. Em uma reconstrução dramática incrivelmente bem escrita, Chernobyl é capaz de emocionar qualquer espectador, ao mesmo tempo em que propõe paralelos sutis com a nossa sociedade atual e argumenta o quanto o ser humano é capaz de de destruir a si próprio, não importando o quão perto esteja esta destruição. Sem dúvidas, entra, não só para esta lista, mas para a lista de melhores séries de todos tempos. 

Pior: The I-Land

Agora, vejam bem. As outras séries que entraram para esta “lista de piores” podem ter seus vários problemas, mas é perfeitamente possível assistí-las com o cérebro desligado e passar o tempo. Este, no entanto, não é o caso de The I-Land, que pode ser confortavelmente acomodada em uma lista de anomalias que nunca deveriam ter visto a luz do dia. Chega a ser curioso pensar como esta série sequer saiu do papel, e como não houve ninguém em meio a produção que levantou a mão, e apontou o quão desconfortável eram as atuações, a direção pragmática e o roteiro inquestionavelmente mal escrito. The I-Land é tão mal feita, que chega a ser engraçada de assistir. E como citei na crítica, a série só não ganhou zero estrelas por que nenhum pedaço do cenário caiu durante as cenas.