2019 foi um grande ano para o cinema. Tivemos excelentes produções lançadas comercialmente no Brasil, e traremos nossos 10 escolhidos como melhores do ano.

Além dos melhores, também escolhemos 10 dos piores filmes de 2019.

Confira abaixo.


OS MELHORES

Coringa

Os fãs gostam quando a DC adota um tom mais leve, vide Aquaman e Mulher-Maravilha, mas é mesmo nas sombras que a paixão realmente acontece. Nas mãos de Todd Phillips e de uma performance eterna de Joaquin Phoenix, Coringa é um estudo de personagem caprichado, tecnicamente impecável e que promete mudar a forma como Hollywood enxerga adaptações de super-heróis e quadrinhos. Um milagre que a Warner tenha realmente aprovado um filme assim.

Doutor Sono

Não imagino que uma continuação de O Iluminado fosse algo que todos desejassem, mas o que Mike Flanagan entregou aqui explodiu qualquer expectativa. O longa se firma facilmente como a melhor adaptação de Stephen King dos últimos anos, misturando o terror de Stanley Kubrick com os elementos mais fantasiosos (e empolgantes) da obra do autor, explorando um universo riquíssimo. Pode ter sido um fracasso nas bilheterias, mas o tempo será mais gentil.

Era Uma Vez… em Hollywood

Quentin Tarantino mostra seu lado mais maduro e reflexivo na carta de amor a Hollywood, mas sem perder sua perspicácia e humor ácido. Com um elenco estelar liderado por Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, o nono filme do cineasta é um de seus melhores trabalhos até então, oferecendo uma narrativa mais preocupada em explorar o comportamento de seus personagens do que uma história propriamente dita. A melhor viagem do ano.

Entre Facas e Segredos

Por falar em grandes elencos, Entre Facas e Segredos tem a melhor seleção de astros de 2019 em um mistério absolutamente delicioso. Rian Johnson oferece um dos roteiros mais intrincados e dinâmicos do ano, oferecendo uma reinvenção muito bem escrita e orquestrada da clássica história de detetive. Talvez seja o melhor entretenimento de 2019, e eu espero que Daniel Craig volte a viver o excêntrico detetive Benoit Blanc.

Fora de Série

A cada ano que passa, ficamos cada vez mais carentes de comédias de estúdio (com exceção dos filmes da Marvel Studios), então foi uma grata surpresa ver a estreia de Olivia Wilde na direção de Fora de Série. É uma espécie de Superbad com saias, mas que mergulha em temas profundos de amizade e sexualidade, ao passo em que também é criativo, inteligente e inegavelmente hilário.

Ford vs Ferrari

Automobilismo costuma gerar grandes obras no cinema, e foi o caso de Ford vs Ferrari, excelente novo filme de James Mangold que se concentra na disputa EUA x Itália nas 24 Horas de Le Mans, no final da década de 60. Um roteiro afiado, grandes atuações de Christian Bale e Matt Damon e um domínio impressionante de ação nas cenas de corrida garantem que esse seja um dos grandes filmes do ano.

História de um Casamento

Na primeira grande aposta para o Oscar 2020 da Netflix, Noah Baumbach oferece o filme mais humano e verborrágico do ano com História de um Casamento. É o melhor roteiro de 2019, contando com as performances poderosas de Adam Driver e Scarlett Johansson para narrar a história simples, mas cheia de nuances, de um casal que inicia um processo de divórcio.

O Irlandês

Quando Martin Scorsese liga a câmera, nós prestamos atenção. Aliando-se à Netflix, o lendário cineasta comanda um épico de 3h30 sobre gângsters no fim da vida, puxando o lado mais maduro e reflexivo do diretor. Não bastasse a condução, O Irlandês ainda se beneficia de ter Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci (todos em ótima forma) dividindo a cena ao longo dessa maravilhosa e melancólica jornada.

Meu Nome é Dolemite

Que ano fantástico para os filmes da Netflix! Eddie Murphy retorna em sua melhor forma com a excelente comédia Meu Nome é Dolemite, narrando a história real do comediante Rudy Ray Moore. Na veia de Ed Wood e O Artista do Desastre, o longa de Craig Brewer se concentra nos bastidores de uma produção cinematográfica amadora e pedestre, mas cheia de paixão e carisma. Imperdível para fãs de cinema independente.

Parasita

Nunca subestimem o cinema sul-coreano: é um dos melhores do mundo. A mais recente prova está com a obra-prima Parasita, longa que mistura humor negro, drama e melancolia em um roteiro original, imprevisível e completamente envolvente. O filme de Bong Joon-Ho talvez seja o grande lançamento de 2019, e merece todos os prêmios possíveis.

OS PIORES

Contato Visceral

Não é uma opção segura se o espectador tem pavor de baratas, mas é ainda pior para os interessados em uma boa história. Contato Visceral tem uma boa premissa, mas que se perde no simbolismo pretensioso e no suspense forçado que não tem um pingo de tensão real.

Eu Sou Mais Eu

Após o abominável É Fada, Kéfera Buchmann aposta em mais uma comédia de gênero, agora praticamente copiando toda a estrutura de De Repente 30. Nenhuma das piadas funciona, as tentativas de drama são patéticas e, pelo menos no cinema, o carisma de Buchmann não segura.

Esquadrão 6

Ah, Michael Bay. Em sua primeira colaboração com a Netflix, o diretor se esforçou para fazer o filme que melhor traduzisse seus vícios insuportáveis, sendo uma das experiências mais exageradas, intermináveis e irritantes do ano. A fotografia e a ação têm bons momentos, mas Esquadrão 6 é mesmo um teste de paciência até para os maiores fãs do mestre das explosões.

Godzilla 2: Rei dos Monstros

A ideia de monstros gigante saindo na porrada parece infalível, certo? De algum jeito, a Warner conseguiu errar a mão feito com o novo Godzilla. A direção é incompreensível, colocando todas as grandes batalhas em meio a escuridão, chuva e névoa, ao passo em que Mike Dougherty tenta complicar a trama simplista com dramas humanos pseudo complexos e cheio de metáforas religiosas. Insuportável.

Hellboy

Ninguém queria um Hellboy que não fosse dirigido por Guillermo Del Toro, e o que tivemos foi muito pior do que poderíamos imaginar. Nem David Harbour, perdido sob quilos de maquiagem, é capaz de trazer interesse a esta adaptação mal escrita, sem brilho ou qualquer interresse em sua mitologia. Genérico, no máximo.

Homem-Aranha: Longe de Casa

Talvez seja a decisão mais polêmica desta lista. A segunda aventura solo de Tom Holland segue mostrando que a Marvel Studios não compreende um de seus maiores personagens, limitando o herói a um palhaço aspirante a Homem de Ferro. Jon Watts segue como um dos diretores mais limitados e inimaginativos da indústria, oferecendo um dos piores filmes do Homem-Aranha já feitos. Só Jake Gyllenhaal, o Mysterio, se salva nessa “comédia” terrivelmente sem graça.

Malévola: Dona do Mal

Eu juro que não esperava encontrar algo tão ruim e sonolento com o segundo Malévola, afinal, o primeiro filme é bem eficiente. A Disney errou feio ao trazer uma continuação que não acrescenta nada, repete arcos do anterior e ainda mantém Angelina Jolie longe dos holofotes por boa parte da projeção. Nada inovador e dolorosamente lento.

Projeto Gemini

Ang Lee é um cineasta que toma decisões peculiares, e a ficção científica estrelada por Will Smith talvez seja o pior filme de sua carreira. Mesmo com a tecnologia de rejuvenescimento e o high frome rate, Projeto Gemini tem um dos piores roteiros dos últimos anos: é bobo, desinteressante e desperdiça um conceito estimulante com clichês batidos.

Rainhas do Crime

Um daqueles projetos que entra na categoria de “filmes que não existem”. A adaptação da Vertigo é um dos filmes mais vazios e opacos do ano, onde mesmo com as presenças fortes de Melissa McCarthy, Elisabeth Moss e Tiffany Haddish, Rainhas do Crime tem um roteiro chatíssimo e uma direção nada estimulante. É o genérico de Os Bons Companheiros, ou mais apropriadamente, As Viúvas.

Rambo: Até o Fim

A quinta (e última?) aventura do herói de guerra de Sylvester Stallone tem seus admiradores, mas só pode ser uma questão de nostalgia. Até o Fim é o pior filme de Rambo já feito, contando com uma trama de novela insuportável, uma direção que beira o amadorismo e um gore que demora para aparecer, aproveitando pouco de sua premissa interessante. Desastroso, e bem distante do sucesso que Stallone alcançou com Rocky no derivado Creed.