Colony | Nova série do criador de Lost estreia no Brasil; leia nossa crítica

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Colony, série de invasão alienígena produzida por Carlton Cuse, um dos criadores de Lost, e Ryan Condal (Hercules), estreia nesta segunda-feira (18) no Brasil, pelo canal pago TNT, às 23h30.

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Para você não ficar por fora da série e saber o que esperar, o Observatório do Cinema fez uma análise do primeiro episódio. Confira a seguir:

Como toda ficção científica que se preze, a nova aposta do canal americano USA se apoia na reflexão de uma situação muito real por meio das metáforas e situações da trama. No caso de Colony, a referência é óbvia: contando a história de uma família na Los Angeles futurista invadida por uma força militarista misteriosa, se dividindo entre a luta na Resistência contra os invasores e o trabalho como Colaboradores dos mesmos, a série espelha de maneira esperta a situação de muitos países do Oriente Médio e da África invadidos e “protegidos” pelos EUA.

Os termos usados no roteiro, como Área de Exclusão e Zona Verde, são familiares para qualquer um que acompanha as notícias sobre a situação desses países, e é no mínimo subversivo, em tempos de atos terroristas emergindo no Oriente Médio e crise migratória na Europa, retratar os próprios americanos como vítimas de algo que eles afligem a várias localidades estrangeiras. Colony nos desafia a contestar a abominar esses “atos terroristas” quando eles são arma de resistência dos próprios americanos contra uma força que toma e reorganiza, sem muita preocupação com tradições ou famílias, o espaço de uma nação.

Só com esse resuminho já dá para perceber que Colony provavelmente é uma série na qual vale a pena prestar atenção, mas nem tudo são rosas na nova produção de Cuse que, desde o final de Lost, também esteve envolvido com Bates Motel. Os 50 minutos do piloto que vazou online quase um mês antes da estreia oficial são dirigidos com habilidade e inteligência visual por Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos), que também vai assinar vários dos episódios subsequentes, mas o talento do diretor serve aqui para mascarar as falhas de caracterização do roteiro, ainda indeciso sobre a natureza de alguns de seus personagens, e nada sutil na designação dos limites e regras do mundo que nos apresenta.

A boa notícia é que ainda sobra bastante espaço para um cerne humano e envolvente pulsar no coração de Colony. Os elogios precisam começar com Josh Holloway e Sarah Wayne Callies, as âncoras do piloto como o casal Will e Katie – ele, após uma desastrosa tentativa de ultrapassar a fronteira de Los Angeles com Santa Monica para buscar um filho do qual o casal foi separado muito tempo atrás pelos invasores, é recrutado por um político de fala mansa (Peter Jacobson, ótimo) para infiltrar e destruir a Resistência; ela, como descobrimos ao fim do episódio, é um membro ativo da mesma.

Tanto Holloway quanto Callies tem a mistura certa de sinceridade e enigma para encarnarem esses personagens e as complexidades que já começam a aparecer no relacionamento dos dois. Callies estrelou as três primeiras temporadas de The Walking Dead, e traz uma persona mais guardada e detalhista; um belo contraste para o estilo expansivo de Holloway, que reencarna pontos do seu inesquecível Sawyer de Lost aqui, deixando transparecer através do sotaque sulista aquela mesma combinação de honestidade e esperteza, auto depreciação e desenvoltura.

Colony já tem garantida uma primeira temporada com 10 episódios. O rumo que esses episódios vão tomar pode criar uma série de ficção científica envolvente e com algo a dizer, se os roteiristas quiserem. Resta esperar para saber.

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