Uma série histórica conhecida como “Game of Thrones da Turquia” está atualmente quebrando recordes no Paquistão, sob um pouco controvérsia.

O Grande Guerreiro Otomano, que está disponível na Netflix, foi lançada no Paquistão com uma versão dublada e provou ser extremamente popular ao longo de cinco temporadas, como relatou a BBC.

Também se tornou um sucesso no Oriente Médio, África do Sul e América do Sul. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi fotografado usando o chapéu de um guerreiro turco durante uma visita no set.


Série controversa

A série, estrelada por Engin Altan Düzyatan, Serdar Gökhan e Hülya Darcan, baseia-se na vida do líder muçulmano dos Oguzes da Turquia do século XII, Ertugrul. Acompanha os turcos muçulmanos Oguzes enquanto lutam contra invasores mongóis, cristãos, bizantinos e os cavaleiros templários.

Os críticos acreditam que o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, apoiou o programa, que possui um grande orçamento e emprega a Nomad (uma companhia de dublês popular em Hollywood), porque ela cumpre sua visão do Paquistão como o “ideal ético e político” da sociedade islâmica.

Desde então, os políticos se envolveram no debate sobre se o seriado promove violência ou serve como uma celebração positiva dos heróis muçulmanos e como meio de combater a islamofobia.

Um artigo do diário Dawn sugeriu que “o motivo pode estar em uma reunião nos bastidores muito divulgada, onde o primeiro-ministro Khan se reuniu com o presidente turco [Recep] Tayyip Erdogan e [então] primeiro-ministro malaio Mahathir Mohammad na Assembléia Geral da ONU.”

Em setembro de 2019, Khan se reuniu com Erdogan e Mahathir para discutir a ideia de divulgar um canal de TV dedicado em inglês para criar uma narrativa contra a islamofobia.

Em um artigo no The Diplomat, foi sugerido que Khan “provavelmente estava tentando marcar pontos políticos na Turquia, um país com o qual o Paquistão está fortalecendo sua parceria”, promovendo o seriado.

O artigo da Dawn apontou que o programa consegue desafiar uma série de percepções negativas sobre a cultura muçulmana.

“Poderosas e voluntariosas, as damas de O Grande Guerreiro Otomano são muito diferentes das mulheres que encontramos nos dramas paquistaneses e indianos, mas elas também não cumprem a analogia de Game of Thrones usada para descrever esse programa”, afirmou.

“As mulheres costumam agir como Beys ou chefes no lugar de seus maridos e irmãos, conforme necessário, elas lutam com espadas ou punhais e não se casam em silêncio com qualquer homem escolhido para agradar alguém – mesmo que seja um sultão.”

Um artigo do New York Times de 2017 comentou: “Séries como O Grande Guerreiro Otomano expressam a ideia de que a Turquia tem uma missão única como herdeira de um grande império, uma nação fundada por homens de força, coragem e sabedoria.”

Também apontou que a popularidade de O Grande Guerreiro Otomano e séries semelhantes podem refletir o desejo de seu público de escapar “para um mundo de fantasia mais reconfortante do que a bagunçada realidade da Turquia hoje”.

“Em um país ferozmente polarizado, perturbado pelo crescente conflito econômico e agitado pela guerra na fronteira com a Síria, O Grande Guerreiro Otomano acalma os telespectadores, aproveitando um mito lisonjeiro e fundamental da glória turca”, afirmou.

No Brasil, todas as cinco temporadas de O Grande Guerreiro Otomano estão disponíveis na Netflix.