Cursed, a nova abordagem da Netflix sobre o mito do Rei Arthur, é um fracasso completo e absoluto.

Isso ocorre por várias razões – incluindo a construção de um mundo que é ao mesmo tempo complicada e vazia -, mas seu principal problema é o material de origem no qual se baseia.

Até agora, ouvimos a história do Rei Arthur de todas as formas possíveis e de todos os ângulos imagináveis. Cursed tenta revolucionar a trama fazendo de Nimue, interpretada por Katherine Langford, a personagem central – mas ainda não funciona.


História batida

Embora seja fácil culpar Cursed por isso, especialmente a escrita (que faz parte do problema), há algo maior acontecendo aqui que vale a pena examinar.

Ao longo da década passada, tivemos muitas tentativas de recontar a lenda de Camelot, e todas elas falharam de maneira extravagante.

Havia Camelot, de 2011, uma série que não passou da primeira temporada. Depois, foi lançado o ambicioso Rei Arthur: A Lenda da Espada, de Guy Ritchie, estrelado por Charlie Hunnam, que deveria ser o primeiro em pelo menos um universo de seis filmes, mas afundou sem deixar rasto.

Claramente, há um problema com Camelot hoje em dia, mas qual seria? É uma grande pergunta, e existe uma resposta mais mais óbvia: a influência do Rei Arthur já pode ser encontrada em todos os cantos da narrativa ocidental.

Ao longo dos séculos, nossa cultura absorveu a lenda arturiana como uma esponja e isso depende de duas partes definitivas do texto: A Morte de Artur, de Sir Thomas Malory, e O Único e Eterno Rei, de T.H. White.

Se a narrativa de Malory criou o mito que conhecemos e amamos hoje, então a de White era uma atualização essencial para os dias modernos, onde os cavaleiros e reis de Camelot são mais humanos, heróis trágicos que são apanhados na cauda do destino, tentando lutar contra um final que, argumenta White, é inevitável e necessário.

A influência deles não pode ser subestimada. No entanto, são elementos presentes nessas narrativas que já foram explorados tantas vezes por tantas obras diferentes que, no fim, nas novas adaptações, eles perdem completamente o sentido ou o significado.

Cursed já está disponível na Netflix.