A série Away, da Netflix, mostra um de seus personagens com uma doença rara, a malformação cavernosa cerebral (CCM). Mas qual a realidade daqueles que sofrem com essa condição?

A doença consiste em vasos sanguíneos formados com alguma anormalidade, causando problemas no cérebro ou na medula espinhal.

Com dois ou mais centímetros em diâmetro, essas “cavernas” podem vazar sangue, levando a hemorragias no cérebro ou na medula, o que podem levar a sintomas neurológicos visíveis, dependendo do local da má formação.


Esses sintomas podem incluir dormência, fraqueza, dificuldade de falar, dificuldade em entender outros, perda de equilíbrio, dores de cabeça fortes, ou mudanças na visão.

Estimativas apontam que a CCM afeta uma a cada 200 pessoas, ocasionando em riscos constantes de derrame, ou outras complicações.

Muitos pacientes se tornam sintomáticos apenas quando se tornam adultos, enquanto outros sequer demonstram os sintomas durante toda a vida. A doença não conta com cura conhecida, mas o paciente pode controlar ataques epilépticos, dentre outros problemas, com medicação.

Intervenção cirúrgica e tratamento à base de radiação também podem remover algumas formações anormais.

A história real por trás da série

Away, a nova série de ficção científica da Netflix, acompanha a jornada da tripulação do Atlas, que embarca na primeira viagem de humanos à Marte. A questão que permanece com os espectadores é: ela é baseada em acontecimentos reais?

Não, Away não é baseada em fatos, mas é parcialmente inspirada em uma história real. O criador Andrew Hinderaker decidiu criar a série quando ele leu um artigo na Esquire, revela o Cinemaholic.

Escrito por Chris Jones, o artigo foca na missão de seis meses do astronauta Scott Kelly, à bordo da Estação Espacial Internacional. Durante esse tempo, sua família passou por uma crise séria quando sua cunhada levou um tiro.

No artigo, Kelly fala sobre o sentimento de estar longe da família, justamente quando ela precisa mais de você.

Hinderaker se sentiu pessoalmente conectado à experiência porque ele passou por algo similar. Quando estava trabalhando em uma peça em Chicago, ele recebeu a notícia de que sua esposa, com quem era casado há 15 anos, foi diagnosticada com uma terrível doença.

A sensação do que foi descrito naquele artigo, do que Scott sentiu naquele momento, em que você está fazendo exatamente o que deve fazer, então essa notícia é dada, quando a vida de alguém que você ama vira de cabeça para baixo e sua vida também. Tudo o que você quer fazer é voltar para casa”, disse o criador de Away ao CBR.

A protagonista de Away passa por uma experiência similar imediatamente após partir da Terra. Seu marido fica muito doente. Essa distância entre eles, quando a família mais precisa dela, é o que se torna o principal motor emocional da história.

Away mostra a jornada do Atlas da Terra a Marte. Em certo ponto, o sistema de recuperação de água da nave quebra, deixando a tripulação às margens de uma possível desidratação. Agindo como “cirurgiões”, os astronautas decidem que a melhor solução é um “transplante de coração” – a retirada das partes estragadas e substituição por materiais novos.

Este não é o único problema sofrido pela nave Atlas em sua viagem ao Planeta Vermelho, mas exemplifica bem o núcleo narrativo de Away: astronautas deixando de lado suas lutas pessoais em nome da sobrevivência.

A série é protagonizada por Hilary Swank, e conta com um impressionante elenco internacional, que consiste no russo Misha (Mark Ivanir), o indiano Ram (Ray Panthaki), o ganês Kwesi (Ato Essandoh) e a chinesa Lu (Vivian Wu).

A primeira temporada de Away já está disponível na Netflix.