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Controvérsia

Historiadores acusam Bridgerton de usar figurinos imprecisos

Especialistas criticam a caracterização de item do vestuário feminino na Netflix

Publicado por Alexandre Guglielmelli

16/03/2022 20:30

Bridgerton é uma das séries mais populares da Netflix, e faz muito sucesso ao combinar as sensibilidades do público moderno com a ambientação história da Regência, um dos períodos mais interessantes da história britânica. Entretanto, a série tem sido criticada por historiadores pelos figurinos dos personagens – vistos como “imprecisos e inadequados”.

Em meio a vestidos suntuosos e trajes de época, fãs mal podem esperar pela estreia da 2ª temporada de Bridgerton na Netflix. Como os livros de Julia Quinn, os novos episódios mudam completamente o foco da trama.

Como fãs já sabem, a 1ª temporada de Bridgerton abordou a história de Daphne, a jovem que desenvolve uma quente paixão pelo charmoso Simon Hastings, interpretado por Regé Jean-Page. No segundo ano, por outro lado, o foco vai para a trama de Anthony, o primogênito do clã.

Enquanto a 2ª temporada de Bridgerton não estreia na Netflix, confira abaixo tudo sobre a polêmica dos figurinos da série, de acordo com informações do site Looper.

A controvérsia dos figurinos de Bridgerton na Netflix

Segundo o historiador Alden O’Brien – curador de figurino e materiais têxteis do museu Daughters of the American Revolution – o anacronismo histórico dos figurinos de Bridgerton aparece, particularmente, em um item dos trajes femininos: o espartilho.

De acordo com o especialista, o item não é usado por sua importância histórica, mas sim como uma metáfora sobre a opressão das mulheres.

O problema é que, segundo o historiador, é que essa metáfora não funciona.

“O espartilho não é um vilão, como afirmam produtores de cinema e TV. Com o passar do tempo, os corseletes passaram por muitas mudanças”, comentou O’Brien.

Na era da Regência, os espartilhos eram feitos de algodão, com um cordão firme para suporte e, ocasionalmente, espaços na parte de trás para uma estrutura mais elaborada.

“Essas peças de vestuário eram normais para a época, e seus usos variavam de acordo com cada ocasião. Tanto as mulheres da nobreza quanto as trabalhadoras utilizavam espartilhos”, explicou o especialista.

Hoje em dia, muita gente assume que todos os espartilhos eram verdadeiros instrumentos de tortura – com mecanismos para acentuar a cintura e “quebrar as costelas” das mulheres.

Mas essa visão representa uma inconsistência histórica, que além de ser errada, também é ofensiva.

“É ridículo imaginar que as mulheres andavam por aí com esses trajes desconfortáveis, e que não podiam tirá-los devido ao patriarcado. E elas suportaram isso por 400 anos? As mulheres não eram estúpidas”, comentou o historiador.

O especialista também explicou que a maneira que Bridgerton caracteriza os espartilhos não faz sentido de acordo com a moda da época.

“O corte desses trajes acaba pressionando o busto das personagens. Mas na época da Regência, os espartilhos não serviam para diminuir as cinturas. Ao invés disso, eles eram usados para levantar e separar os seios, de maneira semelhante aos sutiãs modernos de demi-cup e balconette”, explicou O’Brien.

A 2ª temporada de Bridgerton estreia na Netflix em 25 de março. Veja abaixo o trailer legendado.

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