Crítica | Demolidor – 2ª temporada

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Por Caio Coletti

Assistir a todos os episódios em maratona é uma boa ideia quando se trata da segunda temporada de Demolidor. A série do Homem Sem Medo começa sua segunda temporada, que estreia nesta sexta-feira (18) pela Netflix, de forma um pouco hesitante, exagerando nos efeitos especiais e na ultraviolência, mas há recompensas para quem continuar assistindo: algumas cenas de ação espetaculares e a introdução dos importantíssimos personagens Justiceiro e Elektra.

Mesmo que o rótulo da Marvel para o Demolidor seja o de um herói “das ruas”, o advogado cego super-poderoso feito por Charlie Cox enfrenta muitas dificuldades em sua jornada para livrar Hell’s Kitchen do crime. Nessa segunda temporada, o herói enfrenta ameaças velhas e novas: primeiro, o anti-herói que a polícia batizou de O Justiceiro (Jon Bernthal, de The Walking Dead), um vigilante inclemente que nos faz perguntar até que ponto a atividade dos heróis fantasiados é moral ou amoral. Em um dos encontros entre os dois, o Justiceiro acusa nosso herói de não ter a coragem de fazer o que é preciso para realmente acabar com o crime.

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Depois de alguns episódios, Matt Murdock encontra uma figura do seu passado, Elektra (Elodie Yung), uma ex-namorada cujo relacionamento com o advogado acompanhamos através de flashbacks, além de uma poderosa herdeira e uma artista marcial treinada. As tendências sociopáticas da personagem ficam claras, e Demolidor por vezes se torna uma série tão sombria e violenta que é quase uma paródia de si mesma, ou uma homenagem a Tarantino.

Aos poucos, no entanto, os personagens vão entrando em foco e os relacionamentos ficando mais claros. Yung é um respiro de ar fresco para a série, há uma sequencia de luta em uma escadaria que é uma das coisas mais impressionantes das duas temporadas até agora, e o relacionamento entre Matt e sua colega de escritório Karen (Deborah Ann Woll) começa a esquentar.

É preciso admitir que alguns dos tipos vilanescos da temporada são meio clichês – de gângsteres irlandeses até a Yakuza! – e que a aparição de várias cenas no tribunal se parece mais com um recurso de diminuir o orçamento do que qualquer outra coisa. O mesmo vale para a fraca iluminação das cenas de ação. O personagem principal da série pode ser cego, mas isso não significa que o espectador precise questionar sua visão também.

Na maior parte do tempo, no entanto, assim como Jessica Jones, Demolidor mistura com competência elementos de histórias de super-heróis com filmes noir e dramas criminais realistas. Tudo cheira a uma boa homenagem aos anos em que Frank Miller foi responsável pelas aventuras do personagem na Marvel – e se isso significa fazer uma história sem muito humor, não tem problema. É melhor do que exagerar os personagens, o que muitos fãs considerariam lamentável.

Nesse sentido, as séries da Netflix com a Marvel superam e muito as tentativas da ABC em adaptar os personagens da editora. No processo de criar uma versão do Demolidor fiel a seu personagem, mesmo que mantendo o orçamento nos limites do que as produtoras disponibilizaram, o resultado se tornou bom o bastante para sobreviver alguns tropeços na segunda temporada.

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