Amadurecimento

Crítica: Sex Education – 3ª Temporada

Comédia dramática teen da Netflix demonstra saber com quem conversa, entretendo enquanto educa e comove

Vez ou outra, a plataforma de streaming Netflix consegue algo que merece ser categorizado como um feito. Neste setembro, por exemplo, liberou o primeiro volume da última temporada do megassucesso La casa de papel, série espanhola que se tornou mais do que um sucesso da casa, sendo elevada ao nível de fenômeno mundial. Agora, poucos dias depois, a mesma Netflix solta a terceira temporada de Sex Education, dramédia adolescente que conquistou o coração de uma legião de fãs ao redor do globo.

Para se ter uma ideia, a primeira temporada desta série britânica criada por Laurie Nunn conseguiu passar a casa dos 40 milhões de espectadores, logo após sua estreia.

Desta maneira, não surpreende que estamos ganhando uma nova temporada de Sex Education, que volta às aulas, mas em uma Moordale que promete mudanças drásticas, assim como as que vêm acontecendo na vida desses jovens estudantes:

Otis (Asa Butterfield) tem um novo relacionamento rolando, além da espera de um novo bebê, já que sua mãe, a terapeuta sexual Jean Milburn (Gillian Anderson) ficou grávida; Eric (Ncuti Gatwa) e Adam (Connor Swindells) assumiram a relação, e agora estão aprendendo a conhecer um ao outro, enquanto amadurecem o amor que sentem; já, a contestadora Maeve (Emma Mackey) fica balançada entre o que sente por Otis, e seu atencioso vizinho Isaac (George Robinson).

Contudo, a maior mudança que veremos nesta terceira parte de Sex Education, veio por quem assumiu a cadeira da diretoria da Escola Moordale. Temos uma nova diretora linha dura no pedaço, Hope Haddon (Jemima Kirke), que ditará uma nova ordem que vai bater de frente com vários alunos e algumas de suas ideologias.

GenZ: Representada

Existe uma variedade de produções voltadas para um público jovem produzidas pela Netflix, especialmente nos últimos anos. Todavia, não é sempre que podemos carimbar algumas destas obras, por diferentes razões.

Um dos equívocos que se repetem com certas produções, vem por uma busca na comunicação com a chamada geração Z (GenZ), sem realmente cumprir tal propósito. Em alguns casos, como no filme Ele é Demais, vemos a vida de uma influenciadora digital que está sempre conectada às suas mídias sociais, escorregando nos mesmos clichês batidos de obras produzidas vinte anos atrás; ou, como na série mexicana Control Z, que mira abordar os males da Web 2.0 para esta geração atual, sem se aprofundar nos específicos que caracterizam tal juventude.

Agora, também temos o outro lado da moeda. Eu Nunca…, desenvolvida pela talentosa atriz/roteirista Mindy Kaling, entrega tudo do que dela se espera! Detalhe: imprimindo uma personificação clara, que só demonstra estabelecer certas singularidades no reconhecimento desta história.

Acontece o mesmo com a britânica Sex Education, que revela grandes habilidades no diálogo com a geração Z, enquanto educa o assinante da plataforma.

Felizmente, Sex Education consegue ir além, em vista que não nos restringimos aos causos que acontecem apenas com os alunos, assim, vemos adultos (sejam pais ou professores) também buscando algum equilíbrio no meio de tanta confusão emocional passada.

Das dúvidas, vem o amadurecimento

Logo nas primeiras cenas desta terceira temporada, observamos uma montagem que apresenta vários personagens desta produção tendo relações sexuais. Todas elas exibidas de uma forma mais urgente, como uma necessidade básica humana. Direta, honesta e sem complicações.

A ironia nisso tudo é que a série de Laurie Nunn disserta exatamente a respeito de nossos embaraços, psicológicos e emocionais. Fazendo com que a cena de abertura, seja o único momento em toda a trama, onde testemunharemos algo prático e leve acontecendo.

É exatamente isso que faz Sex Education ser um grande sucesso: tratar o complicado de um modo que fica facilmente identificável, ao mesmo tempo que explora as diferentes camadas das nossas inseguranças, que vão muito além do sexo em si.

Sendo que todas (!) as personagens ganham essa devida atenção do roteiro, não ficamos exclusivos às principais estrelas da série teen da Netflix. Exemplos: Ruby (Mimi Keene), uma das garotas mais populares da escola, sente vergonha em mostrar para os amigos a casa onde mora junto de seu pai, algo que remete diretamente ao cinema praticado pelo falecido John Hughes (1950 – 2009); ou, Jackson (Kedar Williams-Stirling), que começou a desenvolver sentimentos por Cal (Dua Saleh), um estudante não binário da Escola Moordale.

Agindo desta maneira, Sex Education tende a aumentar seu número de seguidores, pois fazer o que esta produção faz, algo similar que Olivia Wilde exercitou com o ótimo Fora de Série, não é das tarefas mais fáceis. Assim também, como crescer e amadurecer.

Incrível Maeve

Apesar de haver uma estrutura consciente que visa balancear todas as perspectivas apresentadas, sempre alguma coisa escapa ganhando uma maior projeção, que evoca da tela, naturalmente.

Estamos falando de Maeve, interpretada pela habilidosa Emma Mackey, que é uma versão mais jovem da atriz Margot Robbie. A jovem profissional de 25 anos de idade, nascida na França, revela nesta terceira temporada o que se encontrava atrás dos muros de rebeldia da personagem.

E, vale dizer, que pelos talentos de Mackey ganhamos uma personagem cheia, que é capaz de manter a pose e carisma do que sempre nos atraímos desde o primeiro momento, enquanto notamos as vulnerabilidades de Maeve serem expostas, pouco a pouco, pelas expressões faciais representadas.

Através dos grandes olhos e sorriso incandescente da atriz, reparamos o que representa o melhor de Sex Education.

Conclusão

Laurie Nunn continua a surpreender nesta terceira parte, quando mergulhamos um pouco mais fundo nas personagens e suas cativantes confusões.

Melhor: em vista que tais mergulhos sempre nos disponibilizam a chance de analisarmos algo que, possivelmente, ainda é inédito para muitos de nós.

Portanto, fica mais fácil como espectadores, recebermos estas novas informações, que podem ensinar sobre coisas que não são parte de nosso dia a dia.

E, mais importante, que é executar isso de uma maneira que aqueça o nosso interior. Até mesmo porque Sex Education da Netflix, faz de tudo para mostrar que tem o coração nas mãos.

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