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Não foi só com a Marvel: Star Wars era acusado de "não ser cinema" 36 anos atrás

Quando Star Wars: O Retorno de Jedi chegou aos cinemas em 1983, foi um sucesso de bilheteria, mas gerou uma discussão semelhante à que estamos tendo na indústria atualmente com Marvel e os super-heróis.

Cineastas como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola declaram seu repúdio por essas produções, com o primeiro declarando que “não é cinema” e o segundo chamando-as de “desprezíveis”.

Acontece que algo semelhante aconteceu há 36 anos atrás, quando um crítico de cinema criticou Star Wars e todas as pessoas que compravam ingressos para assistir à saga.

As críticas

Em um vídeo desenterrado pelo Hollywood Reporter, o crítico John Simon detonou os longas de George Lucas em um programa da ABC de maneira semelhante ao modo como Scorsese e Coppola criticaram Marvel e os super-heróis.

“Sinto que Star Wars é muito ruim porque é completamente desumano. Efeitos especiais são a cauda do cachorro, que não deve abanar o animal inteiro. Quando há uma produção com 90% de efeitos especiais… é como assistir um desenho animado, porque todos esses efeitos parecem irreais.”

Simon também chamou Mark Hamill, Carrie Fisher e Harrison Ford de “três péssimos atores” e apontou que Star Wars não era bom nem para as crianças menores.

“Eles estão brutalizando as crianças. Estão tornando as crianças mais burras do que precisam”, disparou.

É claro que, na época, nomes importantes defenderam Star Wars, como foi o caso dos hoje falecidos críticos de cinema Gene Siskel e Roger Ebert.

“Discordo totalmente do Sr. Simon. Eu não sei o que ele fazia quando era criança, mas eu passei muitas das minhas manhãs de sábado assistindo filmes e seriados de ficção científica e me divertindo muito, com minha imaginação sendo estimulada e tendo todo tipo de visão. Tudo contribuiu para que eu me tornasse um adulto com um coração jovem”, disse Ebert, crítico de longa data do Chicago Sun-Times.

Ele acrescentou: “Eu não diria que sou infantil, mas acho que Simon tem um coração muito velho.”

Siskel, crítico de longa data do Chicago Tribune, por sua vez, disse: “Me sinto mal por esse crítico, John Simon, não ter se divertido com essas produções, honestamente. Não acho que Star Wars seja exageradamente divertido. É um tipo bem-vindo de diversão.”

Embora Simon nunca tenha dito as palavras “não é cinema”, ele abordou esse ponto específico ao dizer que Star Wars carecia de “carne e osso”.

“O que resta é algo que Walt Disney poderia ter feito com uma prancheta, lápis e cores”, reclamou.

Foi nesse momento que Ebert previu que, décadas depois, a saga de Star Wars seria comprada pela Disney.

“Acho que a Disney já deveria estar investindo em produções assim há 20, 30 anos atrás. Todos os filmes são efeitos especiais. Eles não são reais. São bidimensionais. É um sonho. É uma imaginação. Então, com Star Wars sendo bom ou não, me empolgou. Me fez rir. Me emocionou. É para isto que serve.”

Ebert continuou: “Eu também gosto de filmes de Ingmar Bergman e pessoas assim. Eu compartilho esse gosto com o Sr. Simon, mas tento, acho que no meu próprio gosto de cinema, ser amplo o suficiente para tentar entender por que um monte de pessoas gostariam de se reunir para assistir Star Wars e se divertir.”

Dos modos mais peculiares possíveis, parece que Star Wars representava a Marvel e o subgênero de super-heróis décadas atrás.

Star Wars: A Ascensão Skywalker, o fim da nova trilogia da saga, estreou em 19 de dezembro nos cinemas brasileiros.

https://www.youtube.com/watch?v=Ky9-eIlHzAE
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