Aquaman | Filme é Pantera Negra com o final correto

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Atenção! Contém spoilers de Aquaman.

Aquaman | Cena pós-créditos traz referência a Flashpoint

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É fácil para qualquer fã de filmes de super-heróis perceber que Aquaman e Pantera Negra estão contando a mesma história básica de competição entre reis. Contrariando a popularidade e dominância geral da Marvel, é Aquaman que entrega ao público o melhor final.

O fato dos longas serem semelhantes não deve causar controvérsias, especialmente se tratando de filmes de super-heróis, gênero em que enredos clássicos se repetem mais do que deveriam. Vale a pena mencionar também que Killmonger, o vilão de Pantera Negra, é um dos melhores do MCU, principalmente pela utilização das injustiças do mundo real na base de sua missão, além de sua trágica história de origem. O mesmo acontece com o Rei Orm, conhecido como Mestre do Oceano. Tanto os vilões quanto os heróis de Pantera Negra e Aquaman têm muito em comum.

O que diferencia os dois filmes é a maneira com a trajetória dos vilões chega ao fim: em Pantera Negra, Killmonger é transformado em uma monstro metafórico, que deve ser morto a qualquer custo, e em Aquaman, o Rei Orm conhece o perdão pelas ações de Aquaman.

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Analisando o roteiro por si só, Killmonger e Aquaman parecem o mesmo personagem. No entanto, é com o Mestre do Oceano que o personagem de Michael B. Jordan compartilha mais semelhanças. Mesmo sendo os antagonistas dos filmes, as justificativas que eles utilizam para tomar os tronos, de Wakanda e Atlântida, parecem ser legítimas. Isso os diferencia de outros vilões, já que a busca que fazem pelo poder é sagrada, antiga e baseada em problemas sociais do mundo real. Em outras palavras: a missão deles não é maligna.

Ambos os personagens desafiam os rivais, os derrotam em uma luta para a qual se prepararam durante toda a vida, e assim que seus novos poderes são consolidados, eles entram para a nova fase do plano heroico: a Guerra.

Infelizmente, a maior falha de Orm e N’jadaka é a mesma: uma lealdade e senso de nacionalismo tão grande, tão violento e tão profundo, que eles estão dispostos a cruzar qualquer linha para a concretização dos objetivos. Ambos querem guerra, e justificam o militarismo na história e em séculos de opressão.

Em relação às semelhanças entre T’Challa e Arthur Curry, os dois começaram suas transformações em verdadeiros Reis sob as mesmas circunstâncias. Seus tronos, em Wakanda e Atlântida, devem ser reivindicados rapidamente, ou o mundo inteiro vai sofrer com caos e violência.

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Aquaman e Pantera Negra confiam nas mulheres de suas vidas para os indicarem, mostrarem e basicamente explicarem o caminho para o destino monárquico. Os dois personagens também possuem armas secretas que os ajudam a mudar o rumo da batalha final. Aquaman conta com os Karathen, e T’Challa consegue a ajuda de M’Baku. No entanto, não importa o tamanho e escala da batalha entre exércitos: tudo é resolvido em um combate singular, uma luta até a morte entre Reis com ideias completamente opostas.

É nesse conflito que os filmes se diferenciam. E a Marvel assume o caminho mais fácil.

Orm e Killmonger são produtos da sociedade em que cresceram. Eles foram jogados em uma vida de conflito, por seus pais, que os guiaram para um futuro obscuro. A motivação de Orm para matar reis não poderia ser mais justificável: o mundo da superfície causa muito mais problemas para os mares e para o planeta do que benefícios. E o fato do personagem estar no lado oposto de Aquaman não torna seu argumento menos válido.

Então, quando Arthur finalmente derrota o Mestre do Oceano, ele decide não matar o personagem de Patrick Wilson. Ele entende o poder da misericórdia, pois vê Orm como um oponente, não um inimigo maligno. É nesse momento que a Rainha Atlanna aparece, e mostra um perdão ainda maior. Ela reafirma que o filho está perdoado, e que ele não é mal, cruel e nem errado em suas convicções. Ele foi apenas enganado.

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E mesmo em um reino que raramento apresenta a dádiva do perdão, Orm não é condenado à morte. Ele é preso e Arthur afirma que entende completamente as motivações do meio-irmão. Dessa forma, a reconciliação entre os personagens ainda pode acontecer, e Orm pode ganhar outra chance de viver e evoluir como indivíduo. Essa oportunidade nunca foi oferecida para Erik Killmonger.

O personagem de Michael B. Jordan é extremamente diferente dos outros vilões da Marvel, mas seu fim é o mesmo de muitos deles. Uma punhalada no coração desferida pelo herói do filme. T’Challa não tinha outra alternativa para lidar com Killmonger, sabendo que o vilão nunca desistiria de seus planos como Orm.

No início da jornada de Killmonger, suas motivações parecem tão justificáveis quanto as do Mestre do Oceano. Mas assim que o personagem começa a sentir prazer com a morte daqueles que ele vê como inimigos, asfixiar idosas, destruir a história de Wakanda e incitar violência generalizada, fica claro que seu objetivo se transformou em crueldade. Sua missão não é por Wakanda, mas por ele mesmo.

Dessa forma, sua morte permanece trágica e absolutamente necessária. E com suas últimas palavras “a morte é melhor do que a escravidão”, ele abraça sua verdadeira natureza como um revolucionário radical.

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Sob um ponto de vista narrativo, o Pantera Negra consegue até mais do que queria: ele entende as motivações de Killmonger e revela Wakanda para o mundo (mesmo ignorando os conselhos das mulheres que disseram a mesma coisa no início do filme), sem ter que reconsiderar as crenças do personagem.

De acordo com a estratégia dos estúdios, o vilão de um blockbuster é tão importante quanto o herói, o que transforma a morte de Killmonger em um tiro no pé da Marvel. O personagem, principalmente devido à interpretação magistral de Michael B. Jordan, fez tanto sucesso com o público, que sua ausência nas sequências do filme pode se provar problemática. Killmonger só poder voltar às telas se o final de Pantera Negra for completamente apagado.

Em Aquaman, ainda existe a possibilidade de outras aventuras envolvendo Arthur Curry e Orm, já que o personagem está tentando resolver os mesmos problemas que o irmão lidava.

O elenco de Aquaman conta também com, além de Jason Momoa no papel do herói, Patrick Wilson como Mestre dos Oceanos, Nicole Kidman como a Rainha Atlanna, Willem Dafoe como Vulko e Amber Heard como Mera.

James Wan (Invocação do Mal) dirige o filme.

Aquaman está em exibição nos cinemas brasileiros.

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